Artigo especial: Mochilas e botas no mundo!

*Artículo traducido al español

[POR]
Em este artigo vou compartilhar com vocês o registro de viagens que realizei com Mariana entre 2012-2018, e que de certo me inspira em muito para estar viajando América Latina em bicicleta desde 2016. Mariana, minha grande companheira nestes últimos cinco anos, já é velha conhecida dos amigos leitores: juntos pedalamos pelo Vale Europeu em sul de Brasil e mochilamos por Bolívia em 2016, em 2017 a Mari pedalou 1.500KMs no centro-oeste do Brasil comigo e durante minha passagem por Peru visitamos juntos as ruínas de Machu-Pichu.

[ESP]
En este artículo voy compartir con ustedes el registro de viajes que realicé con Mariana mientras 2012-2018, cierto que estas aventuras inspiran a mi estar recorriendo América Latina en bicicleta desde 2016. Mariana, mi gran compañera destes cinco últimos años, ya es vieja conocida de los amigos lectores: juntos pedaleamos por el Valle Europeu en sur de Brasil y viajamos por Bolívia en 2016, en 2017 Mari recorrió por 1.500KMs en bicicleta a mi lado, y durante mi pasaje por Perú visitamos juntos las ruínas de Machu-Pichu.

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[POR]
Desde 2012 é que conhecemos o mundo do eco-turismo. Em passeios com amigos começamos a frequentar cachoeiras situadas próximo de São Paulo, e logo percebemos o quão saudável e bonito é estar perto da natureza. Nosso interesse nos levou a sites e blogs que relatavam experiências de acampamento e imersão na selva, usando equipamentos como barracas, fogareiros, mochilas e botas de caminhada. Nos parecia que era possível estar em contato com a natureza de forma intensa, e ainda sim viver com conforto e boa alimentação. No fim de 2014, que em 12 dias de férias que tiramos de nossos trabalhos, sonhamos pela primeira vez subir uma montanha e acampar. Escolhemos um lugar em Minas Gerais devido ao baixo custo da passagem e as facilidades estruturais da região.

[ESP]
Desde 2012 es que conocemos el mundo del eco-turismo. En excursiones con amigos empezamos a irnos a cascatas en las cercanías de Sao Paulo, y luego vimos com es bueno estar cerca de la naturaleza y sus encantos. Nuestro interés nos llevó a páginas-web que hablaban del tema, relatando viajes con carpa, estufa para cocina, mochilas y botas. Nos pareció que es posible estar más cerca de la naturaleza y aún sí tener mucho confort. En fines de 2014, que en 12 días de vacaciones de nuestro trabajo, sueñamos por la primer vez subir un cerro y hacer camping. Elegimos un sítio en Minas Gerais, Brasil debido al pasaje barato y facilidades estructurales de la región.

DEZ/2014: PICO DA BANDEIRA – ALTO DO CAPARAÓ, MG, BRASIL

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[POR]
Decidimos conhecer o Pico da Bandeira, terceira maior montanha do Brasil com seus 2.892 m.s.n.m. A escolha se deu aí porque há o Parque Nacional Alto do Caparaó muito bem estruturado, e por R$15 de entrada mais R$6/dia (preços de 2014) se pode acampar em uma área natural que conta com água potável, vestiário e banheiro. Uma passagem de avião muito barata entre São Paulo/SP – Vitória/ES nos levou rapidamente à região, e com um ônibus Vitória/ES – Manhumirim/MG – Alto do Caparaó/MG chegamos aos pés da montanha mais alta do sudoeste brasileiro.

Sem nenhum conhecimento em campismo ou trekking, pesquisamos todas as informações e dicas em sites e blogs da internet. Chegamos a conclusão que era necessário uma barraca, fogareiro e comida para ter conforto nas alturas. Em listas intermináveis detalhamos todos os equipamentos e acessórios que julgamos importante levar. Após algumas semanas de planejamento concluímos que poderíamos passar 7-10 dias no acampamento-base e em um destes dias fazer a fácil ascensão ao cume, 14km de caminhada por uma trilha muito bem sinalizada.

[ESP]
Decidimos conocer el Pico da Bandeira, tercera cumbre más alto de Brasil con sus 2.892 m.s.n.m. Quisimos conocer este lugar pues ahí está el Parque Nacional Alto do Caparaó, muy bien estructurado. A R$15 la entrada y más R$6/día se puede acampar en un sítio natural con baño, água potable y duchas. Um pasaje de avión muy barato São Paulo/SP – Vitoria/ES nos llevó rapidamente a región, y con un bus Vitoria/ES – Manhumirim/MG – Alto do Caparao/MG llegamos al pie del cerro más grande del suroeste brasileño.

Sin ningún conocimiento en camping o trekking, buscamos todas las informaciones en páginas-web. Llegamos a conclusión que se necesitaba una tienda de campaña, estufa y comida para viajar con confort. En listas interminables detallamos todos los equipos y accesorios que juzgamos importante llevar. Algunas semanas después planeamos pasar 7-10 días en el campamento y en uno de estes, subir el cerro por un sendero muy bueno y fácil de 14km.

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[POR]
A verdade é que a experiência de camping nos resultou muito satisfatória. Logo nos acostumamos à rotina de cozinhar café, almoço e janta à companhia dos animais silvestres e rodeados por uma exuberante natureza. Nós visitamos a região bem na época de chuvas – dezembro -, o verão, e por este fato o acampamento-base estava praticamente vazio – a temporada na região é em julho, época de poucas chuvas e muito frio -, o clima quente aliado a nossa sorte de pegar dias de céu limpo e muito sol nos propiciou muito desfrute ao ar livre e muitas visitas a rios e cachoeiras em volta de nosso acampamento.

Tivemos a oportunidade de conhecer alguns acampantes de muita experiência. Para nós foi um imenso prazer ouvir histórias de aventuras em outros cantos do mundo e tomar conhecimento de um universo totalmente novo: o eco-turismo autossuficiente. Um casal em particular foi muito importante para que nossa viagem fosse perfeita: Regina e Fábio tinham bastante experiência em trekkings e Fábio já havia feito a trilha ao Pico da Bandeira diversas vezes, assim que nos convidou para fazermos a trilha de madrugada de forma que pudéssemos admirar o pico no nascer do sol.

[ESP]
La verdad es que para nosotros la experiencia del camping fue muy buena. Luego nos acostumbramos a rotina de cocinar desayuno, armuezo y cena en la compañía de los animales silvestres y rodeados por naturaleza. Visitamos la región en la temporada de lluvias – diciembre -, el verano, y por eso el base-camp estaba prácticamente vacío – la época de visitas es en Júlio, con poca lluvia y mucho frío -, el clima caliente y nuestra suerte de estar en días de cielo despejado nos propició mucha alegría en ríos y cascatas en las cercanías.

Tuvimos la oportunidad de conocer algunos acampantes de mucha experiencia. Fue un inmenso placer escuchar historias de aventuras en otras partes del mundo y conocer un universo totalmente nuevo: el eco-turismo auto-suficiente. Una pareja de amigos fue muy importante para que el viaje fuera perfecto: Regina y Fábio tenían mucho conocimiento en aventuras y Fábio ya había subido hasta el Pico da Bandeira muchas veces, así que nos invitó a subir con ellos en la noche, de manera a admirar la cumbre a lo primer rayo del sol.

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[POR]
Na madrugada do dia 25/12/2014 que ascendemos pela primeira vez ao cume de uma montanha, por volta das 3 A.M. saímos Mariana e eu de nosso acampamento e seguimos a trilha que nos levaria, 8km mais adiante, ao acampamento de nossos amigos Fábio e Regina. Sem dificuldade, com nossas lanternas nos orientamos pelo muito bem sinalizado caminho e chegamos por volta das 4h30 A.M. ao encontro do casal. De lá a subida ficou mais dura, e a falta de experiência nos custou um cansaço e esgotamento prematuro, entretanto com a ajuda de nossos amigos conseguimos contemplar o nascer do sol com um céu muito limpo e uma vista espetacular.

Que loucura passamos, a 2892m.s.n.m. nosso suor congelou e a comida que levamos não era suficiente para matar nossa enorme fome. Imagine só, ter que usar casacos grossos e lidar com o congelamento da ponta dos dedos em pleno verão de Minas Gerais! Depois de dormir um pouco baixo sol contemplamos uma estupenda manhã no alto das montanhas. Os visuais alucinantes valeram o esforço e nós ficamos totalmente extasiados com a experiência. Chegamos à conclusão que esse é o tipo de viagem que mais gostamos e as ideias para próximas aventuras giravam em torno de acampamentos e áreas naturais.

[ESP]
En la noche del 25/12/2014 que subimos por la primera vez una montaña, por las 3 A.M. salimos Mariana y yo de nuestro acampamento y seguimos al sendero que nos llevaría, 8km mas adelante, al campamento de nuestros amigos Fábio y Regina. Sin dificultad, con nuestras linternas nos orientamos por el muy bien hecho sendero y llegamos a las 4h30 A.M. al encuentro de los amigos. Desde allá la subida quedó más difícil, y nuestra falta de experiencia nos costó un cansancio prematuro, todavía con la ayuda de nuestros amigos pudimos contemplar en nacimiento del sol con cielo límpido y vista espetacular.

Que locura pasamos, a 2.892 m.s.n.m. nuestro sudor se congeló y la comida que llevamos no alcanzaba para matar la hambre. Imaginase, haber que usar camperas abrigadas y tener las puntas del dedo congeladas en pleno verano de Minas Gerais! Después de dormir un poco bajo el sol contemplamos una maravillosa mañana arriba en las montañas. Los visuales impresionantes compensaron el esfuerzo y quedamos totalmente vislumbrados con la experiencia. Concluímos que este es el tipo de viaje que más nos gusta y ideas acerca de otras aventuras no paraban de nos ocurrir.

OUT/2016: PARQUE NACIONAL AMBORÓ – BUENA VISTA, SANTA CRUZ, BOLÍVIA

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[POR]
No decorrer dos anos de 2015-2018 Mariana e eu nos separamos momentaneamente devido a projetos pessoais, entretanto continuamos a fazer algumas aventuras juntos – conforme descrito no ínicio desse artigo. Uma aventura em particular foi uma linda caminhada aos pés do Parque Nacional Amboró, na parte quente do lindo país que é a Bolívia.

Mariana veio visitarme no meu passo por Bolívia, e tiramos 16 dias para conhecer sua família boliviana e fazer alguns passeios. Decidimos fazer um acampamento selvagem pelo rio Surutú, afim de passar um fim de semana relaxado em meio à natureza. Levando nossos equipamentos de camping pudemos desfrutar de muita paz no meio da natureza e observar um raro fenômeno dessa região onde a lua fica com uma tonalidade rosada.

[ESP]
En los años de 2015-2018 Mariana y yo nos separamos en función de nuestros proyectos personales, todavía continuamos hacer algunas aventuras juntos – descritos en el início del artigo. Una aventura en particular fue una linda caminata al pie del Parque Nacional Amboró, en la parte caliente del lindo país que es Bolívia.

Mariana vino a visitarme en mi paso por Bolívia, y sacamos 16 días para conocer su família boliviana y hacer algunos paseos. Decidimos hacer un campamento salvaje en el río Surutú, en vías de pasar el fin de semana en la naturaleza. Llevando nuestros equipos de camping pudimos disfrutar de mucha paz en medio la naturaleza y observar un distinto fenómeno donde la luna queda con color rosado.

MAR/2018: Mochilão na Europa e Africa – Alemanha, Suécia, Noruega e Marrocos

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[POR]
Viajar em bicicleta de 2016-2018 por América me resultou muitíssimo econômico, graças aos povos latinos que sempre me estenderam a mão, e dois trabalhos que realizei no Peru e Ecuador. Praticamente não gastei nada de minhas economias, que venho trazendo de trabalhos realizados em São Paulo, Brasil. Devido a este fato, decidi gastar este dinheiro para encontrar minha amada Mariana na Europa. Há mais de 7 meses ela está fazendo intercambio e trabalhando na cidade de Leipzig, Alemanha, e em março de 2018 ela tirava férias da universidade, data perfeita para nos encontrarmos para uma nova aventura. Os relatos abaixo foram escritos e traduzidos pela própria Mariana:

[ESP]
Viajar en bicicleta de 2016-2018 por América me resultó mucho económico, gracias la ayuda de los pueblos latinos que siempre me dieron la mano, y dos trabajos realizados en Perú y Ecuador. No gasté casi nada de mis economías, que tengo de trabajos realizados en Sao Paulo, Brasil. Decidí gastar este dinero para encontrar mi amada Mariana en Europa. Há mas de 7 meses ella está estudiando y trabajando en Leipzig, Alemania, y en marzo de 2018 sacaba vacaciones, fecha perfecta para vernos y hacer una aventura. Los escritos abajo fueron hechos por la misma Mariana:

AVENTURA CONGELANTE (texto e tradução: Mariana da Luz Soares Viscarra)

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Desta vez não foi de bicicleta. Quando o Luís me deu a feliz notícia de que viria à Alemanha para me visitar durante meu intercâmbio, eu já tinha quase tudo pronto para minhas férias, de modo que, com medo de ele não querer viajar para onde eu já havia planejado, o jeito foi reservar as passagens sem antes consultá-lo sobre ir para o Círculo Polar Ártico… Eu havia posto em minha cabeça que queria ver uma Aurora Boreal. Então reservei as passagens mais econômicas e voamos para Estocolmo.

Em pleno inverno europeu, com a paisagem urbana já coberta por neve, o plano era pegar o trem noturno que parte da capital sueca ao sul rumo ao extremo norte do país, em Kiruna. Para nossa má-sorte e por conta de minha total falta de preparo no que diz respeito à uma pesquisa prévia sobre nosso objetivo e destino, não sabíamos que no inverno é melhor realizar esse trajeto em ônibus. Por conta de muita neve, frequentemente os trens suecos apresentam problemas e atrasos longuíssimos. Na ida foram 3 horas de espera na estação; na volta, 7 horas. Pelo menos, após todo o cansaço gerado pela espera, a viagem pôde ser confortável; porém, o que mais me chamou a atenção foi a paisagem deste trecho.

[ESP]
Esta vez no fue en bici. Cuando Luis me dió la feliz noticia de que iba a venir a Alemania a visitarme durante mi intercambio, yo ya tenía casi todo listo para mis vacaciones, así que, con miedo de él no querer viajar para donde yo ya había planeado, la forma fue reservar los billetes sin antes consultarlo sobre ir al Círculo Polar Ártico… Yo había puesto en mi cabeza que quería ver una Aurora Boreal. Entonces reservé los billetes más económicos y volamos para Estocolmo. 

En pleno invierno europeo, con el paisaje urbano ja cubierto por nieve, el plan era agarrar el tren nocturno que parte de la capital sueca ao sur rumbo al extremo norte del país, en Kiruna. Para nuestra mala suerte y por cuenta de mi total falta de preparo en lo que dice respeto a una pesquisa previa sobre nuestro objetivo y destino, no sabíamos que en el invierno es mejor hacer este trayecto en autobús. Por cuenta de mucha nieve, frecuentemente los trenes suecos presentan problemas y atrasos muy largos. En la ida fueran 3 horas de espera en la estación; en la vuelta, 7 horas. Por lo menos, después del cansancio generado por la espera, el viaje puede ser confortable; pero lo que más me llamó la atención fue el paisaje de este trecho.

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[POR]
Eu nunca tinha visto tanta neve em minha vida. É claro que eu sabia que seria frio – e agradeço muito à gentileza de meus amigos alemães que nos emprestaram bons casacos de inverno, sem os quais a realização deste sonho não seria possível -, mas eu realmente não sabia muito bem o que esperar e a surpresa deste lugar inóspito me encheu daquele sentimento já conhecido e muito querido: a emoção de, no silêncio, ser preenchido pela grandeza da Natureza quando se está a sós com ela e nos damos conta do quão pequeno somos e do quão pouco sabemos sobre a Vida.

Mesmo que vendo da  janela de um trem, foi algo muito impactante para mim passar tantas horas observando aquela mesma paisagem, tão quieta, intacta e robusta. Fiquei feliz por ver ao vivo uma área tão grande de gelo do mapa. Cruzamos o Círculo Polar Ártico e chegamos à uma latitude de 67º a apenas 2.462 km do Polo Norte.

Tanto em Kiruna quanto em Narvik (já do lado norueguês da fronteira), nosso objetivo não era realizar turismo nas duas cidades mineiras que têm o ferro como base de sua economia e sim, como dito, poder observar o fenômeno da Aurora Boreal.

Tudo começa no Sol, uma estrela com atividades nucleares muito intensas em seu interior. Posto de maneira simples, podemos dizer que toda essa atividade gera explosões na camada mais superior do Sol, de forma que uma certa quantidade do material de seu interior é expelido e recebe o nome de vento solar, o qual viaja pelo Espaço até adentrar a órbita terrestre, sendo canalizado então para seus polos. Os elétrons presentes nos ventos solares interagem com os gases da atmosfera terrestre e resultam nas Auroras Austrais (no polo sul) e Auroras Boreais (no polo norte).

E o sonho se cumpriu. Sem estar esperando por isso, olhamos arbitrariamente pela janela do hotel em Narvik e, para nossa surpresa, mesmo com as luzes da cidade, lá estava ela. Começou como uma nuvem que te chama a atenção em meio a um céu completamente escuro. Então a nuvem ficou mais clara e depois esverdeada. Quando vimos, rapidamente a cor ficou ainda mais forte e então as luzes começaram a dançar no céu. Foi mágico. Realmente muito emocionante, mesmo que não tenha sido a Aurora Boreal de intensidade mais forte possível de se ver.

No dia seguinte, fomos para uma cabana aos pés de uma montanha. A ideia era estarmos mais afastados da cidade para observar melhor o fenômeno. Na primeira noite deu certo; porém, por incrível que pareça, desta vez foi mais fraco do que na cidade. De todas as formas, foi lindo. Valeu à pena esperar naquela noite congelante.

[ESP]
Yo nunca había visto tanta nieve en mi vida. Naturalmente yo sabía que iba a hacer frío – y agradezco mucho a la gentileza de mis amigos alemanes que nos prestaron buenos abrigos de invierno, sin los cuales no sería posible realizar este sueño -, pero yo realmente no sabía muy bien qué esperar y la sorpresa de este sitio inhóspito me llenó daquel sentimiento ja conocido y muy querido: la emoción de, en el silencio, ser llenado por la grandeza de la Naturaleza cuando si estás sólo con ella y nos damos cuenta de lo pequeño que somos y de lo poco que sabemos de la Vida.

Mismo que de una ventana de un tren, fue algo muy impactante para mi pasar tantas horas mirando aquel paisaje, tan tranquilo, intacto y robusto. Quedéme contenta por ver en vivo una área tan grande de hielo del mapa. Cruzamos el Círculo Polar Ártico y llegamos a una latitud de 67 grados a solamente 2.462 km del Polo Norte.

En Kiruna como en Narvik (ja del lado noruego de la frontera), nuestro objetivo no era realizar turismo en las dos ciudades mineras que tienen el hierro como base de su economía y sí, poder mirar el fenómeno de la Aurora Boreal.

Todo empieza en el Sol, una estrella con actividades nucleares muy intensas en su interior. Puesto de forma simples, podemos decir que toda esa actividad genera explosiones en la camada más superior del Sol, así que una cierta cantidad del material de su interior es expelido y recibe el nombre de viento solar, lo cual viaja por el Espacio hasta que adentre la órbita terrestre, cuando es canalizado para sus polos. Los elétrons presentes en los vientos solares interagen con los gases de la atmósfera terrestre y resultan en las Auroras Australes (en el polo sur) y Auroras Boreales (en el polo norte).

Y el sueño si cumplió. Sin estar esperando por eso, miramos arbitrariamente por la ventana del hotel en Narvik y, para nuestra sorpresa, mismo con las luces de la ciudad, ahí estaba ella. Empezó como una nube que te llama la atención en medio a un cielo completamente oscuro. Entonces la nube se hizo más clara y después verde. Cuando miramos, rápidamente el color se quedó más fuerte y las luces empezaron a bailar en el cielo. Fue mágico. Realmente muy emocionante, mismo que no tenga sido la Aurora Boreal de intensidad más fuerte posible de ver.

En el día siguiente, fuimos para una cabaña a los pies de una montaña. La idea era estar más lejos de la ciudad para observar mejor el fenómeno. Logramos en la primera noche; pero, por increíble que parezca, esta vez fue más débil que en la ciudad. Mismo así, fue lindo. Valió la pena esperar en esta noche congelante.

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[POR]
De volta à Alemanha, onde também não faz exatamente muito calor, tudo o que eu queria era curtir uma boa praia e descongelar. Não somente pelo clima extremo (chegamos a pegar -20ºC), mas também pelos preços altíssimos exercidos na Noruega e na Suécia e também, por mais caro que seja, o mal serviço prestados pelos hostels, queríamos partir para um destino mais quente e que coubesse melhor no nosso bolso. E embarcamos de volta no trem, mas desta vez sentido sul. Próxima parada: Marrocos.

[ESP]
De vuelta a Alemania, donde también no hace exactamente mucho calor, todo lo que quería era una buena playa y descongelar. No solamente por el clima extremo (llegamos a tomar -20ºC), pero también por los precios muy altos ejercidos en la Noruega y Suecia y también, por más caro que sea, el malo servicio prestado por los albergues, queríamos partir hacia un destino más cálido y que encajaría mejor en nuestro bolsillo. Y así embarcamos de vuelta en el tren, pero ahora sentido sur. Próxima parada: Marruecos.

PÉ NA AFRICA (texto e tradução: Mariana da Luz Soares Viscarra)

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[POR]
Lembro-me da felicidade ao chegar no aeroporto de Tanger, Marrocos. Céu azul, palmeiras e o cheiro do mar. Mas não durou muito a alegria. Logo no primeiro táxi que pegamos já sentimos que fomos de certa forma enganados. Cobraram-nos algo como 50 dirham (moeda local, valor equivalente a 4,50 euros) a mais do que estava escrito na placa oficial. Além de confirmar o que já tínhamos ouvido sobre o Marrocos, de que é sempre necessário negociar o preço das coisas, também já pudemos perceber a dificuldade que seria a barreira do idioma. O taxista só falava árabe, por isso a conversa foi com um colega dele, num misto de inglês, espanhol e francês desesperado de minha parte. Pelo menos em Tanger e outras cidades do norte há muitas pessoas que falam espanhol, o que ajudou muito para nos adaptarmos nos primeiros dias, mas, quando começamos a ir mais ao sul, tivemos de sobreviver com meu francês precário e mímica. São poucas as pessoas que falam inglês.

As cidades maiores costumam ser divididas em dois espaços distintos: a cidade nova, com prédios altos e vida moderna à la Europa e a Medina, cidade antiga cercada por uma muralha usada no passado contra invasões e sempre com uma grande mesquita no centro. De ruas estreitíssimas e comércio profuso, no primeiro dia não podemos negar que tivemos medo. Em um curto trecho caminhando, o turista é abordado diversas vezes. Querem vender-lhe souvenirs, levá-lo a um hotel ou restaurante, indicar-lhe qualquer caminho que esteja procurando e também vendê-lo haxixe. E é difícil dispensá-los, pois são insistentes e vão caminhando contigo.

Como dito, no primeiro dia foi um choque para nós, mas então entendemos que é disso que vive muita gente, os chamados “intermediários”. Vivem de comissões quando levam o turista a uma loja, restaurante ou hotel específico. E as crianças aprendem rápido. Meninos de 10 anos perguntam “English? Français? Español?” e insistem que você vai se perder (o que não é difícil) nas ruas da Medina e o melhor seria deixar-se guiar por uns trocados.

[ESP]
Acuerdo de la felicidad que fue llegar al aeropuerto de Tanger, Marruecos. El cielo azul, palmeras y el olor del mar. Pero no duró mucho la alegría. Luego en el primer taxi que tomamos ja sentimos que fomos como que engañados. Nos cobraron algo como 50 dirham (la moneda local) más do que estaba escrito en la señal oficial. Además de confirmar lo que ya habíamos escuchado sobre el Marruecos, de que siempre es necesario negociar el precio de las cosas, también ya pudimos percibir la dificultad que sería la barrera del idioma. El taxista sólo hablaba árabe, así que la conversación fue con un colega dél en una mezcla de inglés, español y francés desesperado de mi parte. Al menos en Tanger y otras ciudades del norte hay muchas personas que hablan español, lo que nos ayudó mucho para adaptarnos en los primeros días, pero, cuando empezamos a ir más al sur, tuvimos de sobrevivir con mi francés precário y mímica. Son pocas las personas que hablan inglés.

Las ciudades más grandes suelen ser divididas en dos espacios distintos: la ciudad nueva, con edificios altos y vida moderna a la Europa y la Medina, ciudad antigua cercada por una muralla usada en el pasado contra invasiones y siempre con una grande mezquita en su centro. De calles estrechisimas y comércio profuso, en el primer día no podemos negar que tuvimos miedo. En un corto trecho caminando, el turista es abordado diversas veces. Quieren venderle souvenirs, llevarlo a un hotel o restaurante, indicarle cualquier camino que esté buscando y también vender hachís. Y es difícil dispensarlos, pues son insistentes y van caminando contigo.

Como se ha dicho, en el primer día fue un choque para nosotros, pero entonces entendemos que es de eso que vive mucha gente, los llamados “intermediarios”. Viven de comisiones cuando llevan el turista a una tienda, restaurante o hotel específico. Y los niños aprenden rápido. Chicos de 10 años preguntan “English? Français? Español?” y insisten que tu te vas a perder en las calles de la Medina (lo que no es difícil) y lo mejor sería dejarse guiar por unas pocas monedas.

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[POR]
Depois que fomos ao Museu da Kasbah de Tanger, aprendemos um pouco sobre a história da região e começamos a admirá-los no que diz respeito a como fazem comércio. A verdade é que desde sempre eles são comerciantes. Tanger – e o norte do Marrocos no geral – é uma região estratégica, a porta de entrada do continente africano para a Europa, através do estreito de Gibraltar. Sendo assim, há mais de um milênio a região faz parte de uma rota de comércio fortíssima e os árabes (e também judeus) se juntaram diversas vezes a fim de expulsar cristãos espanhois, portugueses, franceses e ingleses que sempre tentaram dominar aquela área.

De Tanger fomos a Chefchaouen, uma das cidades mais turísticas do Marrocos por dois motivos: primeiro por conta de ser muito bonita, com todas as casas da Medina pintadas de três tons de azul. Segundo, acredito que o turismo se deva à grande oferta de haxixe, uma vez que Chefchaouen se encontra em meio às montanhas do Riff, região com muitas plantações de maconha.

De fato, a relação dos marroquinos com o haxixe chamou a minha atenção e do Luís e nos levou a descobrir mais coisas sobre a sociedade marroquina. Logo nos primeiros dias percebemos muitos homens fumando haxixe nos cafés. Não fosse só curioso o fato dos cafés serem uma espécie de zona onde o fumo é legalizado, também percebemos mais dois aspectos: nos cafés só entravam homens (nunca vimos uma mulher) e os cafés se encontravam cheios durante todo o dia.

Esta curiosidade nos acompanhou durante grande parte da viagem, mas felizmente pude sanar minha dúvida ao conversar com locais. O fato de não vermos mulheres nos cafés foi-me explicado por um rapaz. Nós estávamos dentro da Medina, que é considerada sagrada. Sendo assim, lá dentro, a religião e cultura muçulmana é muito mais intensa. Homens e mulheres passam o dia em espaços diferentes. Não se vê muitas mulheres na rua e, quando há, estão sempre apenas de passagem. Não é como os homens, que são vistos aos montes nas esquinas, cafés e lojas. Fora da Medina as mulheres podem ser mais livres e ir por exemplo a um café. Bares não existem, uma vez que é proibido o consumo de álcool na religião muçulmana.

Já o fato dos cafés sempre estarem lotados foi-me explicado por uma moça. Nestes cafés nunca há comida, os homens têm outras tendas onde normalmente oferecem pão com carne para vender. Percebemos que é muito difícil encontrar uma maior variedade de alimentação; apenas duas vezes encontramos uma pizzaria e era sempre um ambiente mantido por mulheres e também os quais só mulheres e crianças frequentavam.

Da segunda vez, perguntei à mulher o motivo de ter tantos homens nos cafés e ela me explicou: a verdade é a ociosidade em que se encontram. Segundo ela, muitos não querem trabalhar e, quando o fazem, também não pensam em melhorar e expandir (por isso vê-se os tipos de negócio sempre repetidos nas ruas). Isso se deve também em parte pela forma como as famílias são estruturadas. Sempre grandes, com os avós e cerca de três ou quatro núcleos familiares na mesma casa, as finanças são repartidas. Quando se necessita de dinheiro, outros familiares os ajudam, assim como familiares que moram no exterior e enviam dinheiro, o que é muito comum.

A sociedade marroquina ainda tem a cultura de homens e mulheres com papéis sociais distintos e, infelizmente, há muito machismo. Por exemplo, uma mulher só pode pedir divórcio caso apresente “um bom motivo” como violência doméstica, se não ela perde a guarda dos filhos, enquanto um homem pode pedir divórcio sempre que assim o desejar. Numa situação dessas, me pergunto que juíz sequer acreditará na mulher que alega violência.

Mas pelo menos me tranquilizei quando a moça respondeu à minha segunda pergunta e disse que meninos e meninas têm a mesma oportunidade de estudo. Ela ainda acrescentou que as meninas costumam ser as melhores da classe, enquanto os meninos seguem o exemplo dos pais, o da ociosidade.

[ESP]
Después que fuimos al Museo de la Kasbah de Tanger, aprendemos un poco sobre la história de la región y empezamos a admirarlos en lo que se refiere a como hacen comércio. La verdad es que desde siempre ellos son comerciantes. Tanger – y el norte de Marruecos en general – es una región estratégica, la puerta de entrada del continente africano para la Europa, a través del estrecho de Gibraltar. Así siendo, hace más de un milenio la región es parte de una ruta de comércio fortísima y los árabes (y también judíos) juntáronse diversas veces con el fin de expulsar los cristianos españoles, portugueses, franceses y ingleses que siempre intentaron dominar aquella área.

De Tanger fuimos a Chefchaouen, una de las ciudades más turísticas de Marruecos por dos motivos: primero por ser muy hermosa, con todas las casas de la Medina pintadas de tres tonos de azul. Segundo, creo que el turismo se debe a la grande oferta de hachís, una vez que Chefchaouen está en medio a las montañas del Riff, región con muchas plantaciones de marihuana.

De hecho la relación de los marroquíes con el hachís llamó la mia atención y de Luis y nos llevó a descubrir más cosas sobre la sociedad marroquí. Luego en los primeros días percibimos muchos hombres fumando hachís en los cafés. No fuera sólo curioso el hecho de que los cafés son una especie de zona donde el humo es legalizado, también percibimos más dos aspectos: en los cafés sólo entraban hombres (nunca hemos visto una mujer) y los cafés se encuentran llenos durante todo el día.

Esta curiosidad nos acompañó durante gran parte del viaje, pero felizmente pude sanar mi duda cuando hablé con las personas locales. El hecho de no ver mujeres en los cafés me fue explicado por un muchacho. Nosotros estábamos en la Medina, que es considerada sagrada. Así sendo, ahí dentro, la religión y cultura musulmana es mucho más intensa. Hombres y mujeres pasan el día en espacios diferentes. No se ve muchas mujeres en la calle y, cuando hay, están siempre apenas de paso. No es como los hombres, que se ven a los montes en las esquinas, cafés y tiendas. Afuera de la Medina las mujeres pueden ser más libres y ir por ejemplo a un café. Bares no existen, una vez que es prohibido el consumo de alcohol en la religión musulmana.

Ya el hecho de que los cafés estén siempre llenos me fue explicado por una mujer. En estos cafés nunca hay comida, los hombres tienen otras tiendas donde ofrecen normalmente pan con carne para vender. Percibimos que es muy difícil encontrar una variedad más grande de alimentación; solamente dos veces hemos encontrado una pizzería y era siempre un ambiente mantenido por mujeres y los cuales sólo mujeres y niños frecuentaban.

En la segunda vez, pregunté a la mujer el motivo de tener tantos hombres en los cafés y ella me explicó: la verdad es la ociosidad en que se encuentran. Según ella, muchos no quieren trabajar y, cuando lo hacen, tampoco piensan en mejorar o expandir (ese es el motivo de siempre ver los mismos tipos de negocio en las calles). Eso también se debe en parte por la forma como las familias son estructuradas. Siempre grandes, con los abuelos y cerca de tres o cuatro núcleos familiares en la misma casa, las finanzas son repartidas. Cuando necesitan de dinero, otros parientes los ayudan, así como parientes que viven en el extranjero y envían dinero, lo que es muy común.

La sociedad marroquí aún tiene la cultura de hombres y mujeres con papeles sociales distintos y, lamentablemente, hay mucho machismo. Por ejemplo, una mujer sólo puede pedir el divorcio si presenta “un buen motivo” como violencia doméstica, si no ella pierde la custodia de los hijos, en cuanto un hombre puede pedir el divorcio siempre que así lo desea. En una situación como esa, preguntome que juiz siquiera acreditará en la mujer que alega violencia.

Al menos pude tranquilizarme cuando la mujer me respondió a mi segun pregunta y dijo que niños y niñas tienen la misma oportunidad de estudiar. Ella aún dijo que las niñas normalmente son las mejores de la turma, en cuanto los niños siguen el ejemplo de sus papás, lo de la ociosidad.

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[POR]
Após Chefchaouen, fomos para Ouezzane. Sem ser listada nos guias de turismo, Ouezzane foi um encanto para mim. Descobrimos uma Medina toda pintada de verde e sem nenhum turista. Tivemos o primeiro contato com locais que, em árabe (ou bérbere – outro idioma do país -, eu não saberia diferenciar) nos disseram que eu e o Luís parecemos marroquinos. Isso ouvimos durante toda a viagem e não vou negar que me sentia feliz quando alguém chegava falando em árabe comigo e depois me explicava que eu parecia uma marroquina do sul.

Em Ouezzane não havia a chateação dos “intermediários” nos abordando na rua. Outro ponto positivo também foi encontrarmos pela primeira vez um hotel com preço justo. 100 DH (cerca de 10 euros) por um quarto de casal com varanda. Tivemos que pagar mais um pouquinho (10 DH cada) para poder tomar banho, mas lembro-me que foi um dos melhores banhos no Marrocos. Mesmo que fosse com pouca água e de canequinha, o banheiro era limpo (mais do que o do hostel da Suécia, onde pagamos 60 euros e ainda havia a “regra” de que o próprio hóspede deveria limpar o quarto antes de sair… eles sequer trocavam a roupa de cama…). Também gostei muito do banho porque estávamos num hotel frequentado por marroquinos, não havia turistas. E, assim como o banho com economia de água (o Marrocos é um país majoritariamente árido), normalmente também não há privadas. Mesmo assim, ao redor da latrina há sempre um piso de azulejo antiderrapante. Gostei muito de tudo isso. Como os brasileiros, os marroquinos são pobres, mas limpinhos!

[ESP]
Después de Chefchaouen, fuimos a Ouezzane. Sin estar en los guías de turismo, Ouezzane fue un encanto para mi. Hemos descubierto una Medina toda pintada de verde y sin ningun turista. Tuvimos nuestro primer contacto con las personas locales que, en árabe (o bérber – otro idioma del país -, yo no podría decir la diferencia) nos dijeron que yo y Luis parecemos marroquíes. Eso escuchamos durante todo el viaje y yo no puedo negar que me sentía feliz cuando alguien llegaba hablando en árabe conmigo y después explicaba que yo parezco una marroquí del sur.

En Ouezzane no había el aburrimiento con los “intermediarios” nos abordando en las calles. Otra cosa positiva fue que encontramos por la primera vez un hotel con precio justo. 100 DH (cerca de 10 euros) por una habitación matrimonial con balcón. Tuvimos que pagar un poquito más (10 DH cada) para poder ducharnos, pero me acuerdo que fue una de las mejores duchas en Marruecos. Mismo que fuera con poca agua y con una taza, el baño era limpio (más que el albergue de Suecia, donde hemos pagado 60 euros y aún había la “regla” de que el próprio huésped tenía que limpiar la habitación antes de salir… siquiera cambiaban la ropa de cama…). También me gustó mucho la ducha porque estábamos en un hotel frecuentado por marroquíes, no había turistas. Y, así como una ducha con economía de agua (Marruecos es un país mayoritariamente árido), normalmente también no hay retretes. Mismo así, alrededor de la letrina hay siempre un piso de azulejo antideslizante. Me gustó mucho todo eso. ¡Cómo los brasileños, los marroquíes son pobres, pero limpios!

176

[POR]
De Ouezzane fomos à Moulay Idriss, a cidade mais sagrada do Marrocos. Até 2005 era proibido que turistas pernoitassem na cidade. O motivo de ser sagrada é o mesmo de seu nome. Moulay Idriss foi o primeiro governante do império marroquino e peregrinos de todo o país vão até lá visitar seu mausoléu, o qual continua proibido para turistas. Eles dizem que seis peregrinações à Moulay Idriss equivale à uma à Mecca.

Um feliz passeio que eu e o Luís pudemos fazer desde Moulay Idriss foi Volubilis. Eu, pessoalmente, fiquei fascinada com o que vi. Volubilis foi uma cidade romana fundada no ápice do império (século I) a qual foi destruída no século XVIII por um forte tremor de terra. De fato, o Marrocos guarda pérolas preciosas para nós, amantes da Natureza e de História.

[ESP]
De Ouezzane fuimos a Moulay Idriss, la ciudad más sagrada de Marruecos. Hasta 2005 se prohibía a los turistas pernoctar en la ciudad. El motivo de ser sagrada es lo mismo de su nombre. Moulay Idriss fue el primer gobernante del imperio marroquí y peregrinos de todo el país van allá visitar su mausoleo, lo cual continúa prohibido a los turistas. Ellos dicen que seis peregrinaciones a Moulay Idriss es como una a la Mecca.

Un feliz paseo que yo y Luis pudimos hacer desde Moulay Idriss fue Volubilis. Yo, personalmente, me quedé fascinada con lo que ví. Volubilis fue una ciudad romana fundada en el ápice del imperio (siglo I) la cual fue destruida en el siglo XVIII por un fuerte temblor de tierra. De hecho Marruecos guarda perlas preciosas para nosotros, amantes de la Naturaleza y de História.

177

[POR]
O melhor de tudo no Marrocos é o seu povo simples e sempre disposto a ajudar. Eu e o Luís decidimos começar a tentar viajar de carona e não podia ter sido melhor. A cultura da carona é algo comum no Marrocos, de forma que sempre em poucos minutos parava alguém para nos levar. Além de economizarmos, era muito mais confortável do que os péssimos ônibus marroquinos (as pessoas levam papelão para sentar-se, uma vez que os bancos estão molhados por conta das goteiras…) e também a perfeita oportunidade para ter um contato mais próximo com os locais. E, mesmo em silêncio quando o motorista só falava árabe ou bérbere, ou com conversas curtas devido ao fato de eu ainda não falar francês fluentemente, a verdade é que nesses momentos nos conscientizamos de que somos todos um. Por diferente que seja o idioma ou a cultura, continuamos entendendo a linguagem do amor ao próximo.

A ideia minha e do Luís era seguir para Merzouga, no extremo sul. Lá há muitos passeios pelo deserto, daqueles com camelo e tudo. Uma amiga francesa havia nos dado a dica; porém, a meio caminho de lá, na cidade de Midelt, mudamos de opinião. Começamos a ver uma movimentação turística muito forte, de motorhomes franceses a 4×4 alugados para passear pelo deserto. Numa lavanderia queriam cobrar-me 10 euros para lavar meia dúzia de peças de roupa e ainda riram de mim com o meu espanto. Numa cidade anterior também riram de mim quando achei um absurdo pagar 800 euros numa diária de hotel e eu disse que nós só podíamos gastar 10 por dia com hospedagem. A verdade é que, quanto mais próximo de um centro turístico como Merzouga, mais as pessoas começam a te tratar mal. Querendo ou não, lá somos nós os gringos e, devido à proximidade com a Europa, já pensam que você é um europeu milionário querendo gastar dinheiro, o que não é nem um pouco o caso.

[ESP]
Lo mejor de todo en Marruecos es su pueblo simples y siempre dispuesto a ayudar. Yo y Luis hemos decidido empezar a viajar a dedo y no podría tener sido mejor. La cultura de llevar otros que hacen dedo en la carretera es algo común en Marruecos, así que siempre en pocos minutos alguien paraba para llevarnos. Además de economizar, era mucho más confortable que los horribles autobuses marroquíes (las personas llevan cartón para sentarse, una vez que los asientos están mojados por cuenta de goteras…) y también la perfecta oportunidad para estar más cerca de las personas que ahí viven. Y, mismo en silencio cuando el conductor sólo hablaba árabe o bérber, o con conversaciones cortas porque aún no hablo francés con fluidez, la verdad es que en esos momentos nos concientizamos de que somos todos uno de lo mismo. Por diferente que sea el idioma o la cultura, continuamos comprendiendo el lenguaje del amor al próximo.

Mia idea y de Luis era seguir a Merzouga, en el extremo sul. Ahí hay varias excursiones al desierto, esas con camellos y todo. Una amiga francesa había dado el consejo, pero, a medio camino de allá, en la ciudad de Midelt, cambiamos de opinión. Empezamos a ver una movimentación turística muy fuerte, de motorhomes franceses a 4×4 alquilados para pasear por el desierto. En una lavandería querían cobrar 10 euros para lavar media docena de piezas de ropa y todavía se rieron de mí con mi espanto. En una ciudad anterior también se rieron de mí cuando yo dije que era un absurdo pagar 800 euros por una noche en el hotel y que nosotros viajamos con apenas 10 por día para hospedaje. La verdad es que, cuanto más cerca de un centro turístico como Merzouga, más las personas empiezan a tratarte mal. Queriendo o no, allá somos nosotros los gringos y, debido a la proximidad con la Europa, ya piensan que tu eres un europeo milionário que quiere gastar toda su plata, lo que no es ni un poco nuestro caso.

178

[POR]
Continuando a viagem de carona, ainda pudemos ver belas paisagens, mesmo que não tenhamos ido ao deserto do Saara, que é outro sonho meu. Também fizemos dois bons amigos, homens que nos deram carona e falavam inglês (as pessoas que falam inglês são normalmente as que fizeram faculdade, pois, na escola, o idioma estrangeiro ensinado é apenas o francês).

Agradecemos ao Adnane por nos levar. Pudemos tirar um gostinho da paisagem árida e aprender sobre a cultura marroquina. Também agradecemos pela amizade de Abdoul que, em meio a uma viagem de trabalho, nos deu uma longa carona e nos mostrou a hospitalidade marroquina. Levou-nos a casa de seu amigo para jantar e também ofereceu-nos sua casa para pernoitar. Muito obrigada!

[ESP]
Continuando el viaje a dedo, aún pudimos ver bellos paisajes, mismo que no tengamos ido al desierto del Sahara, que es otro sueño mio. También hemos hecho dos buenos amigos, hombres que nos llevaron y hablaban inglés (las personas que hablan inglés son normalmente las que hacen universidad, pues en la escuela el idioma extranjero enseñado es apenas el francés).

Agradecemos al Adnane, que nos llevarnos. Pudimos ya ver un poco del lindo paisaje árido y aprender sobre la cultura marroquí. También agradecemos por la amistad de Abdoul que, en medio a un viaje de trabajo, nos llevó y nos mostró la hospitalidad marroquí. Nos llevó a casa de su amigo para cenar y también nos ofreció su casa para pernoctar. Muchas gracias!

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[POR]
E a comida também foi algo que nos chamou a atenção no Marrocos. As pessoas comem porções pequenas. Não há o exagero e muito menos o desperdício que há em outros lugares. Depois, conversando com um colega alemão que morou seis meses no Marrocos, soube que isso é de fato devido a terem pouca comida. A terra é muito árida e difícil de  cultivar. O tajine, prato mais típico, consiste em uma panela de barro onde, no vapor, é cozinhado carne, ovos e ameixa seca ou então apenas legumes. Com as mãos, todos se servem diretamente da panela no centro da mesa, acompanhado de um pedaço de pão. Após isso, uma fruta.

E, da casa de nosso querido amigo Abdoul em Oulad Berhil, onde tomamos um maravilhoso café da manhã com sua mãe e irmãs, fomos para Marrakech. Um caminhão nos deu carona até uma das estradas mais bonitas que já vi. À la cordilheira dos Andes, a estrada era bem estreita, cheia de curvas e em meio a uma cadeia montanhosa belíssima chamada Alto Atlas. Também pouco movimentada, de modo que eu e o Luís chegamos a caminhar um pouco e tivemos que esperar muito até passar alguém. No fim, conseguimos um micro ônibus que nos levou direto a Marrakech. Graças a Deus, pois estaríamos em apuros se não tivéssemos conseguido essa condução. Como não sabíamos que a estrada seria tão deserta, não fomos preparados. Estávamos sem comida e a água acabou. Foi duro, ficamos sem comer o dia todo, mas valeu à pena. Jamais me esquecerei daquela paisagem magistral. Eram três tipos de montanhas que se intercalavam: uma bem árida, outra de terra bem escura e com arbustos verdes e outra nevada.

[ESP]
La comida también fue algo que nos llamó la atención en Marruecos. Las personas comen porciones pequeñas. No hay el exagero y mucho menos el desperdicio que hay en otros lados. Después, charlando con un colega alemán que ha vivido seis meses en Marruecos, supe que eso es debido a tener poca comida. El suelo es muy árido y difícil de cultivar. El tajine, plato más típico, consiste en una olla de barro donde, en el vapor, es cocinado carne, huevos y ciruela pasa o entonces sólo vegetales. Con las manos, todos se sirven directamente de la olla en el centro de la mesa, acompañado de un pedazo de pan. Después, una fruta.

Y de la casa de nuestro querido amigo Abdoul en Oulad Berhil, donde desayunamos riquísimo con su madre y hermanas, fuimos a Marrakech. Un camión nos llevó hasta una de las carreteras más hermosas que yo ya he visto. A la cordillera de los Andes, la carretera era muy estrecha, llena de curvas y en medio a una cadena montañosa bellísima llamada Alto Atlas. También poco movimentada, así que yo y Luis llegamos a caminar un poco y tuvimos que esperar mucho hasta pasar alguien. En el fin, logramos un micro autobús que nos llevó directo a Marrakech. Gracias a Dios, pues sin este transporte estaríamos en apuros. Como no sabíamos que la carretera sería tan desierta, no fomos preparados. Estábamos sin comida y la agua se acabó. Fue duro, nos quedamos sin comer todo el día, pero ha valido la pena. Jamás olvidaré aquel paisaje magistral. Eran tres tipos de montañas que se intercalaban: una mucho árida, otra de tierra bastante oscura y con arbustos verdes y otra nevada.

180

[POR]
Em Marrakech não vimos muito. Nossa viagem estava chegando ao fim. Decidimos ir com calma para a Espanha, de onde partiria o voo do Luis de volta à Colômbia e o meu, de volta à Alemanha. Fomos de trem de Marrakech a Tanger. Bom trem e preço justo (diferente do que ocorre na Alemanha), cerca de 35 euros para praticamente cruzar o país. De Tanger, pegamos uma balsa que, em 30 minutos, cruzou o estreito de Gibraltar e nos levou à Espanha.

[ESP]
En Marrakech no hemos visto mucho. Nuestro viaje estaba llegando a su fin. Hemos decidido ir con calma a España, de donde tenía Luis su vuelo para volver a Colombia y yo el mio a Alemania. Fuimos en tren de Marrakech a Tanger. Buen tren y precio justo (diferente do que ocurre en Alemania), cerca de 35 euros para prácticamente cruzar el país. De Tanger, tomamos la balsa que, en 30 minutos, cruzó el estrecho de Gibraltar y nos llevó a España.

181

[POR]
Pudemos dar tchau ao Marrocos em grande estilo. Do ônibus que nos levou do porto até o centro da cidade de Algeciras (Espanha), pudemos observar o continente africano do outro lado na hora do pôr-do-sol. Na Espanha não fizemos nada de mais, apenas aproveitamos para descansar e nos despedir. Mas posso dizer que estas foram férias inesquecíveis. Por mais despreparados que estivéssemos (eu e o Luís nos prometemos nunca mais viajar sem fogareiro e barraca) e por mais curta que tenha sido a estada no Marrocos (isso tudo fizemos em apenas duas semanas), foi um país que nos deixou com gostinho de quero mais. Com certeza vamos voltar. E desta vez de bicicleta.

[ESP]
Pudimos despedirnos de Marruecos en gran estilo. Del autobús que nos llevó del puerto hasta el centro de la ciudad de Algeciras (España), pudimos observar el continente africano del otro lado en la hora de poner del sol. En España no hicimos mucho, aprovechamos solamente para descansar y despedirnos. Pero puedo decir que fueron vacaciones inolvidables. Por más despreparados que estábamos (yo y Luis nos hemos prometido nunca más viajar sin hornillo de camping y carpa) y por más corta que haya sido la estada en Marruecos (hemos hecho todo eso en sólo dos semanitas), fue un país que nos dió ganas de saber más. Seguro vamos volver. Y en la próxima vez en bici.

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Cicloviagem LatAm | Trecho 15#: Quito, Ecuador. – Cali, Colômbia

*Artículo traducido al español

[POR]
O caminho à Colômbia foi feito em companhia. Desde o centro-oeste brasileiro – primeiro trimestre de 2017 – que eu viajava sempre solitário, assim que estar entre amigos foi uma ótima experiência. Na Casa de Ciclistas de Quito fiz muitas amizades e pude compartilhar e comer com outros trotamundos.

No dia 22 de janeiro de 2018 saímos para pedalar em seis pernas. Murilo e eu seguimos viajando até o sul de Colômbia, já com o amigo colombiano Raul pedalamos somente por três dias.

[ESP]
El camino a Colombia fue hecho en compañía. Desde el centro-oeste brasileño – primer trimestre de 2017 – que viajaba solo, así que estar entre amigos fue una buena experiencia. En la Casa de Ciclistas de Quito he hecho muchas amistades y pudo compartir y comer con otros trotamundos.

En 22 de enero 2018 salimos a pedalear en tres personas. Murilo y yo seguimos viaje hacia el sur de Colombia, y con el “parcero” Raul pedaleamos tres dias.

158

[POR]
Murilo e eu buscamos sempre evitar a movimentadíssima estrada Panamericana, devido ao alto tráfego de carros e poucos pontos de interesse. Depois de Ibarra, tomamos um caminho de estradas secundárias que nos levou ao parque natural “El Angel”, província de Carchi. Subidas infernais nos conduziram a mais de 3600 metros sobre o nível do mar, e pela primeira vez testemunhamos o ecossistema do Páramo. É uma zona de alta umidade, as plantas da região tem a característica de absorver a água do ar e filtrá-la para a terra. Dessa forma o solo é altamente barroso e fértil, o que propicia o desenvolvimento da densa vegetação. A planta mais emblemática desse ecossistema é o Frailejon, pois somente existe nessa parte dos andes – norte do Equador, sul de Colômbia e nas serras de Mérida em Venezuela.

[ESP]
Murilo y yo buscamos siempre evitar la carretera Panamericana, debido al harto trafego de carros y pocos puntos de interés. Después de Ibarra, seguimos un camino secundario que llevó al parque natural “El Angel”, en la provincia de Carchi. Trepadas infernales condujeron a más de 3600 metros sobre el nivel del mar, y por la primera vez conocimos el ecosistema del Páramo. Es una zona de mucha humedad, las plantas tienen la característica de absorver el agua del aire y filtrar para la tierra. Así, el suelo es muy barroso, y fértil, desarrollando una vegetación muy densa. La planta más conocida deste ecosistema es el Frailejon, pues solo existe en esta parte de los andes – norte de Ecuador, sur de Colombia y en las sierras de Merida en Venezuela.

159

[POR]
Depois de muita lama e água, voltamos à Panamericana rumo a Tulcan para cruzar a fronteira rodoviária à Colômbia. A alfândega é um verdadeiro caos devido à grandíssima quantidade de venezuelanos tentando cruzar ao Equador. Nos dias de hoje a Venezuela vive uma grande crise, o salário mínimo lá está por volta de 4U$ ao mês. Já no Equador o salário mínimo varia de 300-370U$, assim que muitas pessoas vêem como única opção para sustentar suas famílias, migrar ao país vizinho.

Graças a ajuda de Oscar, Judith e Laura, – uma família colombiana que vive na fronteiriça cidade de Ipiales e recebe ciclistas em sua casa – deixamos os equipamentos já na Colômbia, e só no outro dia voltamos para realizar os trâmites migratórios. É verdade que notamos os colombianos um povo muito hospitaleiro, e à semelhança dos brasileiros, oferecem comida em abundância e gostam de aprender sobre as diferenças culturais.

Com dois amigos, fomos conhecer a basílica católica Las Lajas. Construída – entre 1916 e 1949 – a 100m de altura sobre o rio Guaítara, é considerada uma das mais lindas igrejas do mundo. Não somente pelo peculiar estilo gótico, mas também por sua localização estratégica, que une dois cânions.

[ESP]
Después de mucho barro y agua, volvimos à Panamericana rumbo Tulcan para el cruce de a Colombia. La oficina de migraciones es una gran confusión debido a gran cantidad de venezuelanos intentando llegar a Ecuador. En los dias de hoy Venezuela vive una gran crisis, el sueldo mínimo está cerca de 4U$ al mes. Ya en Ecuador, el sueldo mínimo esta como 300-370U$, así que muchas personas migran al país vecino para sustentar sus familias.

Gracias a ayuda de Oscar, Judith y Laura – una familia colombiana que vive en Ipiales y recibe ciclistas en su casa – dejamos los equipos en Colombia, y solo en el otro día volvimos para hacer los trámites de migración. Es verdad que notamos los colombianos una gente muy acogedora, y así como los brasileños, ofrecen comida en abundancia y les gusta aprender acerca de nuevas costumbres.

Con dos amigos, nos fuimos conocer la basílica católica Las Lajas. Construida – entre 1916 y 1949 – a 100m de altura sobre el rio Guaítara, es considerada una de las mas lindas iglesias del mundo. No solamente por su estilo gótico, pero tambiién por su ubicación, que une dos cañones.

160

[POR]
Por estradas secundárias, Murilo e eu seguimos pedalando por Colômbia. Aproveitamos o fato de estar em companhia para dividir tarefas, e assim realizar atividades cotidianas com mais agilidade. Murilo sugeriu que fizessemos um trekking à cratera do vulcão Azufral, e depois de 4h de caminhada por florestas úmidas e páramo, chegamos a praticamente 4000m.s.n.m. e pudemos admirar um ecossistema muito peculiar, além da lagoa verde – com essa coloração devido aos gases de enxofre – que “tampa” a cratera do vulcão adormecido.

[ESP]
Por carreteras secundarias, Murilo y yo seguimos pedaleo por Colombia. Aprovechamos estar en equipo para compartir actividades cotidianas, y así realizar tareas con más rapidez. Murilo sugirió que hiciéramos un trekking al cráter del vulcan Azufral, y después de 4h de caminata por selva húmeda y páramo, llegamos a casi 4000m.s.n.m. y pudimos admirar un ecosistema muy peculiar, ademas de la laguna verde – con este color debido a los gases de azufre – que “tapa” el cráter del adormecido vulcan.

161

[POR]
Depois de praticamente 3 semanas pedalando juntos, Murilo e eu estávamos com o relacionamento desgastado. Estar 24h por dia 7x por semana com o companheiro às vezes pode ser estressante. Uma viagem à propulsão humana depende do ritmo físico e mental do indivíduo, assim que decidimos seguir nossos caminhos separados, de forma que cada um siga aproveitando a viagem em seu ritmo.

Pedalando rumo o oriente de Colômbia, me esperava a temida estrada que liga montanhas andinas às pampas amazônicas do rio Putumayo. De Sibundoy, começa a chamada via “trampolim da morte” que em tortuosos quilômetros leva até o rio Putumayo, que em suas águas se chega ao grande Amazonas e desagua no oceano Atlântico, há mais de 4.000km de distância.

Passando por abismos, cascatas de água límpida e selvas úmidas esse é o caminho que percorreu Hérnan Perez Quesada – no século XVI – com 270 soldados, 200 cavalos e 10 indígenas que guiaram as tropas espanholas rumo à invasão do sul oriental. Em 1835 essa rota era usada por mercadores para transitar produtos amazônicos – como a borracha, taguá e quina -, já que ao passar Mocoa, é possível navegar até Belém do Pará, no Brasil, e atingir o litoral atlântico. Em 1932, essa rota foi usada pelas tropas colombianas na guerra contra o Peru, de forma a flanquear os inimigos pelo oriente.

Na virada do século XXI, a estrada continua a ter um transito sombrio. Na década de 90 os únicos que trafegavam sem problemas na região eram guerrilheiros e traficantes de cocaína – segundo artigo no jornal El Tiempo. Aproveitando-se do caminho estratégico, usam a rota para escoar a produção da droga desde a amazônia a outros países e ao oceano Pacífico. Talvez por isso eu notei uma fortíssima presença militar na região, em todas as pontes ou miradouros havia um destacamento fortemente armado.

Entretanto eu não tive nenhum problema em meu passo, e pude tranquilamente apreciar o estupendo caminho, cercado por floresta de Yunga, muito úmido e muitas nascentes de água. O clima de páramo – que vai de 3.000-4.500m.s.n.m. -, se encontra quase 365 dias do ano entre nuvens, suas plantas absorvem a água, e os charques e lagoas formados nas alturas propiciam o desenvolvimento de uma densa floresta – a 1.600-2.800 m.s.n.m. – de árvores grossas, solo barroso e muitas fontes de água pura.

[ESP]
Después de casi 3 semanas pedaleando juntos, Murilo y yo estábamos con el relacionamiento lastimado. Estar 24h por día, 7 veces por semana con el compañero as veces puede ser estresante. Un viaje a propulsión humana depende del ritmo físico y mental del individuo, así que decidimos seguir el camino en separado, de manera que uno siga aprovechando el viaje a su ritmo.

Pedaleando rumbo el oriente de Colombia, me esperaba la mal dicha carretera que une las montañas andinas a las pampas amazônicas del rio Putumayo. De Sibundoy, empieza la llamada “trampolín de la muerte”. En tortuosos quilómetros lleva hacia el rio Putumayo, que en sus aguas llega hasta el gran Amazonas y desagua en el oceano Atlantico, lejos más de 4.000km.

Pasando por abismos, cascatas de agua pura y selvas húmedas este es el camino que hizo Hérnan Perez Quesada – en el siglo XVI – con 270 soldados, 200 caballos y 10 indígenas que guiaron las tropas de España rumbo à invasão del sur oriental. En 1835 esta ruta era muy usada por mercadores para traer productos amazónicos -como el caucho, tagua y quina -, ya que al pasar Mocoa, es posible navegar hasta Belen del Pará, en Brasil, y llegar en la costa atlántica. En 1932, esta ruta fue usada por tropas colombianas en la guerra contra Perú.

En el cambio del siglo XX para XXI, la carretera sigue con su trafego sombrio. En la década de 90 los únicos que andaban por la región sin problemas eran guerrilleros y cocaleros – según artigo en el periódico El Tiempo. Aprovechando el camino estratégico, usan la ruta para escoar la producción de cocaína desde las Amazonas a otros países y oceano Pacífico. Talvez por este motivo yo sentí fuerte presencia militar en la región, en todos los puentes o miradores había un destacamento armado.

Todavia yo no tuve problemas en mi paso, y pudo tranquilamente apreciar el hermoso camino, cercado por selva de Yunga, muy húmeda y muchos chorros de água limpia. El clima de páramo – que vá de 3.000-4.500m.s.n.m.-, se encuentra casi 365 del año dentro de nieblas, sus plantas absorben el agua, y los alagados y lagunas formados en las alturas permiten el desarrollo de una densa selva – a 1.600-2.800 m.s.n.m. – de gruesos árboles, suelo barroso y muchas fuentes de água límpida.

162

[POR]
Chegar em Mocoa, Putumayo, Colômbia – no dia 8/2/2018 – foi como um prêmio. Depois de passar mais de 3 meses no clima quente e paradisíaco do litoral equatoriano, eu estava desde o dia 10 de janeiro pedalando pelas montanhas, passando por temperaturas frias, e algumas vezes até negativas. A capital do Putumayo fica a 800m.s.n.m., e o ecossistema alto amazônico de rios caudalosos e densa vegetação, faz da região um forno.

Um aroma peculiar invade os campos e cidades na Colômbia: é a marihuana. Seu uso é cultural, e não somente em forma de fumo, mas é muito comum a venda de pomadas e outros produtos medicinais derivados da erva. De todas maneiras, subidas intermináveis me aguardavam. Pelo norte, era hora de voltar ao ocidente, já que meu destino era Cali, a capital mundial do ritmo Salsa.

Decidi seguir a estrada que corta o Parque Natural Nacional do Puracê. Mais uma vez em um clima de florestas de Yunga e páramo, de úmida vegetação e subidas fortíssimas. Eu acreditava que seria uma estrada solitária com acampamentos selvagens e sem presença humana, já que nos 60km que cortam o parque não há povoados, casas nem atividade agropecuária. Somente a natureza.

Por volta das 17h eu já estava buscando um local para acampamento quando percebi que tinha vizinhos. Ao me virar de costas, encontrei um militar empunhando um fuzil. Ele educadamente me pergunta sobre a viagem, e nos fazemos amigos. Mais tarde ele volta me convida a jantar com seus companheiros no acampamento militar, situado à alguns metros escondido na mata.

[ESP]
Llegar en Mocoa, Putumayo, Colombia – en el 8/2/2018 – fue como un premio. Después de pasar más de tres meses en el cálido clima de la costa ecuatoriana, yo estaba desde el 10 de enero pedaleando por las montañas, pasando por temperaturas frías, y as veces negativas. La capital del Putumayo queda a 800m.s.n.m., y el ecosistema alto-amazónico de ríos caudalosos y densa vegetación, hace de la región una hornalla.

Un aroma muy raro invade los campos y ciudades de Colombia: es la marihuana. Su uso es cultural, y no solamente en fumo, sino también en pomadas y otros productos de medicina natural. De todas maneras, trepadas interminables esperaban. Por el norte, yo debía seguir al ocidente, ya que mi destino es Cali, la capital mundial del ritmo Salsa.

Decidí seguir la carretera que cruza el Parque Natural Nacional del Puracé. Mas una vez en un clima de selva de Yunga y paáramo, de húmeda vegetación y trepadas muy fuertes. Yo creía que seria una carretera sola, con campamentos salvajes y sin la presencia humana, ya que en los 60km que cortan el parque no hay pueblos, casas y atividade agropecuária. Solamente naturaleza.

Las 17h yo ya estaba buscando donde acampar cuando noté habían vecinos. Al virarme de espaldas, encontré un militar empuñando un rifle. El educadamente preguntame acerca del viaje, y nos hacemos amigos. Mas tarde el regressa y invita a cenar con sus compañeros en el campamento militar, escondido algunos metros adentro en la selva.

163

[POR]
Os sete militares no acampamento ficaram muito entusiasmados com a minha visita. Seu trabalho é internar-se por 6 meses dentro da floresta, e através de trilhas movimentar-se pela região e assegurar a segurança. Assim como eu, eles levam sua casa nas costas, cozinham em um fogareiro à gasolina e tem seus equipamentos de camping, além do armamento pesado.

Segundo os amigos, nos dias de hoje a região é tranquila e não há confrontos armados. Devo dizer que fiquei um tanto assustado com esse encontro, de todas as formas fui muito bem tratado e além da janta, me convidaram para o café-da-mañha no outro dia e ainda me apoiaram com 1,5kg de arroz e 200g de sardinha.

As subidas terminaram no páramo, e a partir de lá foi pura descida à cidade branca de Popayan. No centro histórico, todos estabelecimentos são pintados de cor branca, o que dá um aspecto muito interessante à cidade. Já no vale do rio Cauca, uma grande descida me aguardava nos 140km até Cali.

Através da rede social Warmshowers conseguí um grande apoio na cidade de Cali. O amigo Jose Arango me recebeu em sua casa e aceitou guardar meus equipamentos por um mês e meio. Um inesperado e grato acontecimento me obrigou a estacionar a bicicleta, e partir rumo a nova aventura.

Somente no dia 3 de abril é que volto a andar de bicicleta pelas américas, obrigado aos leitores por sempre acompanhar as publicações e nos vemos em breve com muitas boas novidades.

[ESP]
Los siete militares en el campamento quedaron muy contentos con mi visita. Su trabajo es internarse 6 meses en la selva, y por senderos caminar por la zona y garantizar la seguridad. Así como yo, ellos llevan su casa en las espaldas, cocinan en una estufa a gasolina y tienen sus equipos de camping, ademas del armamento pesado.

Según los amigos, en los días de hoy la zona es muy tranquila y no hay confrontos armados. Debo decir que quedé assustado con el encontro, aún que me trataron muy bien y además de la cena, me invitaron el desayuno en el otro día y aportaron 1,5kg de arroz y 200g de sardina para llevar.

Las trepadas terminaron en el páramo, y desde allá fue pura bajada a la ciudad blanca de Popayan. En el centro histórico, todas las viviendas son pintadas en color blanco, lo que da una sensación muy interessante. Ya en el valle del rio Cauca, una gran bajada me esperaba en los 140km hacia Cali.

Por la red social Warmshowers logré un gran apoyo en la ciudad de Cali. El amigo Jose Arango me recibió en su casa y aceptó guardar mis equipajes por un mes y medio. Un inesperado y bueno acontecimiento me obligó a parquear la bici, y partir rumbo nueva aventura.

Solamente el 3 de abril es que volvo a pedalear por las américas, gracias a los lectores por siempre acompañar el diário y nos vemos lueguito con buenas novedades.

 

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Cicloviagem LatAm | Trecho 14#: Guayaquil, Guayas, Ecuador – Quito, Pichincha, Ecuador.

*Artículo traducido al español

[POR]
O percurso foi, diferentemente dos outros trechos da viagem, feito com muitas paradas. Muito descanso e um pouco de trabalho também. O Equador é um dos menores países que atravessei, entretanto sua gente e seus lugares o fazem imenso em boas experiências.

[ESP]
El percurso fue, diferentemente de los otros tramos del viaje, echo con muchas paradas. Mucho descanso y un poco de trabajo también. El Ecuador es un de los más pequeños países que atravesé, todavia su gente y sus lugares lo hacen inmenso en buenas experiencias.

153

[POR]
Guayaquil é a maior cidade do pequeno país, e posso dizer que me impressionei com sua estrutura. Desde Porto Alegre, no sul do Brasil, que não conhecia uma cidade tão grande. Atravessar em bicicleta essa imensidão de concreto, imensos prédios e boa quantidade de fabricas em sua periferia foi uma tarefa um tanto estressante, somente aliviada quando na saída da cidade, pedalei por uma ótima ciclovia de 60km de extensão. A maior que já conheci.

O caminho até Montañita, Sta. Elena foi de puro desfrute. Aproveitei para conhecer as praias, em um desvio por caminhos de terra pude testemunhar ondas perfeitas em Puerto Engabao. Chegando na turística cidade de Salinas, já na província de Sta. Elena, fiz bons amigos. Fiquei quatro dias hospedado na casa de uma família equatoriana e em um passeio à ponta mais ocidental do Equador avistei pela primeira vez lobos-marinhos em seu habitat natural.

Voltar à região do litoral depois de um ano e meio realmente me fez bem – desde Torres, RS, Brasil que não via o oceano -, os equatorianos são muito receptivos à pessoas de outros lugares, o que me permitiu fazer muitos amigos. Para fechar com chave de ouro, 40km depois de Salinas, acabei por acampar em uma pista de Parapente, e os pilotos ao saberem que eu vinha pedalando mais de 12 mil quilômetros para conhecer o Equador, não duvidaram em me convidar para fazer um voo pelo borde da praia de San Pedro. Uma experiência inesquecível.

[ESP]
Guayaquil es la más grande ciudad del pequeño país, y puedo decir que me impresioné con su estructura. Desde Porto Alegre, en el sur de Brasil, que no conocía una ciudad tan grande. Atravesar en bici esta infinitud de concreto, inmensos edifícios y buena cantidad de fabricas fue una tarea un molesta. Solo mejoró cuando en la saída de la ciudad, pedaleé por una óptima ciclovia de 60km de extensión. La más grande que conocí.

El camino hacia Montañita, Sta. Elena fue de puro disfrute. Aproveché a conocer las playas, en uno desvio por caminos de tierra yo fue testigo de olas perfectas en Puerto Engabao. Llegando en la turística ciudad de Salinas, ya en la província de Sta. Elena, hizo buenos amigos. Me quedé cuatro días hospedado en la casa de una familia ecuatoriana y en un paseo a punta más ocidental del Ecuador avisté por la primera vez lobos-marinos en su habitat natural.

Volver a la costa después de un año y medio me hizo muy bien – desde Torres, RS, Brasil que no miraba el oceano -, los ecuatorianos son muy receptivos a personas de otros lugares, lo que me permitió hacer muchos amigos. Y lo mejor: 40km después de Salinas, acampé en una pista de Parapente, y los pilotos al conocieren mi história no dudaron en invitarme para hacer un vuelo a las orillas de la playa de San Pedro. Una experiencia inolvidable.

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[POR]
Ao chegar em Montañita, a turística cidade surfista, já tinha a intenção de encontrar um lugar para descansar até o fim do ano. Desde que saí pedalando de minha casa em janeiro de 2016 eu nunca parei mais de um mês em mesmo lugar. O ótimo clima tropical, mar quente de boas ondas e a vibra jovial da região fazem dessa zona um lugar perfeito para recuperar o fôlego da pedalada.

Volunturismo: forma de turismo baseada na troca de trabalho por hospedagem e alimentação. 4 a 6 horas diárias, 5 ou 6 dias por semana.

Praticar o volunturismo me pareceu uma ótima maneira de parar um período longo e ainda sim não gastar minhas economias. Em Montañita essa prática é muito comum entre os viajantes, e no primeiro hostel, me aceitaram como voluntário.

Para manter os custos de lazer e alimentação, eu fazia trabalhos extras. Buscar gente no terminal de ônibus para hospedarse no hostel, e dar aulas de surf – pratiquei surf em toda minha juventude -, eram algumas atividades. O problema foi que ao longo de duas semanas voluntariando, o dono do hostel passou a abusar. Sem dias de descanso, horas extras sem pagamento e o pior, já não queria pagarme as comissões que devia. Em um momento que le cobrei fui ameaçado, dessa forma que não tinha outra opção além de amarrar meus pertences na bicicleta e seguir o caminho.

A região toda tem muitas praias e há turismo em quase todas, dessa forma eu logo conseguí voluntariado na praia de Olon, onde por uma semana aprendi muito sobre jardinagem.

20km mais adiante conheci o lugar onde finalmente descansei para o fim de ano. Em Ayampe, lugar de ondas perfeitas e constantes, consegui um voluntariado no hotel “El Campito Art Lodge”, onde me prestaram uma cabana muito confortável e privada, além de cozinha, água e lavanderia, em troca de 3h de trabalho 6x por semana. Dei aulas de inglês para crianças, realizei alguns trabalhos infográficos para o hotel e um cartaz para uma escola de surf. Isso me permitiu viver dois meses sem gastar minhas economias, surfando todos os dias e ótima alimentação.

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[ESP]
Al llegar en Montañita, la turística ciudad surfista, ya tenía la intención de encontrar un sítio para descansar hasta en fin de año. Desde que salí pedaleando de mi casa en enero de 2016 nunca paré más que un mes en lo mismo lugar. El hermoso clima tropical, mar caliente de buenas olas y la vibra playera de la región hacen de la zona un lugar perfecto para recuperar el cansancio de la pedaleada.

Volunturismo: forma de turismo basada en el cambio de trabajo por alojamiento y alimentación. 4 a 6 horas diarias, 5 o 6 dias por semana.

Practicar el volunturismo me pareció una buena manera de descansar un largo período y no gastar mis economias. En Montañita esta practica es muy comun entre los viajeros, así que en el primer hostel me aceptaron como voluntario.

Para mantener los costos de lazer y alimentación, yo hacia trabajos extras. Jalar gente en el terminal de bus para alojarse en el hostel, y dar clases de sur – surfeé toda mi juventud -, eran algunas de las actividades. El problema es que al largo de dos semanas voluntariando, el dueño del hostel estaba abusando. Sin dias libres, horas extras sin pago y lo peor, ya no quería pagarme las comisiones que debía. En un momento que le cobré fue amenazado, desta forma no había otra opción que amarrar mis perteneces en la bici y marchar.

La región tiene muchas playas y hay turismo en casi todas, así que luego logré voluntariado en la playa de Olon, donde por una semana aprendí mucho acerca de jardinería.

20km más adelante conocí el lugar donde finalmente descansé para el fin de año. En Ayampe, sítio de olas perfectas y constantes, logré un voluntariado en el hotel “El Campito Art Lodge”, donde me prestaron una cabaña muy confortable y privada, además de cocina, água y lavandería, en troca de 3h de trabajo 6x a la semana. Di clases de inglés para niños, realicé algunos trabajos infográficos para el hotel y un cartel para una escuela de sur. Esto me permitió viver dos meses sin gastar mis economias, surfeando todos los días y con buena alimentación.

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[POR]
O clima paradisíaco e as ondas perfeitas faziam cada dia espetacular, aliado a isso fiz muitos amigos e tive a incrível oportunidade de reencontrar pessoas, inclusive um amigo da juventude que não via há quase 10 anos. Ver o Bruno e por o papo de uma década em dia foi uma experiência única, nos fez pensar nossas ações passadas e avaliar os resultados. Um exercício muito bacana que me deu ânsia de viver o presente com o máximo de dedicação, para que no futuro possa novamente colher ótimos frutos.

Outro reencontro muito esperado foi a chegada de Murilo, um amigo que me recebeu em sua casa em março de 2016, no sul do Brasil, e que há seis meses está viajando pelo continente em bicicleta também. Murilo chegou justo para as comemorações de natal e ano novo, e passamos lindo recordando histórias e momentos épicos sobre duas rodas.

Na comemoração do ano novo notei uma tradição muito diferente: no dia 26 de dezembro as pessoas fazem bonecos de papelão de tamanho humano, e os colocam em frente a suas casas com uma caixa pedindo moedas para “o velho”. No dia 31/12 se recolhe esse dinheiro para comprar bebidas, e na virada do ano as pessoas jogam os bonecos na rua e ateiam fogo, simbolizando a morte do velho ano.

[ESP]
El clima paradisíaco y las olas perfectas hacían cada día espectacular, hizo muchos amigos también y tuve la increíble oportunidad de reencontrar personas, incluso un amigo de la juventud que no veía hace casi 10 años. Ver Bruno y hablar acerca de esta década fue una experiencia única, nos hizo pensar nuestras acciones pasadas y evaluar los resultados. Un exercício muy bueno que dio ganas de vivir el presente con el máximo de dedicación, para que en el futuro pueda novamente cosechar buenos frutos.

Otro reencontro muy esperado fue la llegada de Murilo, un amigo que me recibió en su casa marzo de 2016, en sur de Brasil, y que hace 6 meses está viajando por el continente en bicicleta también. Murilo llegó justo para las fiestas de navidad y año nuevo, y pasamos lindo recordando anedoctas y momentos épicos en dos ruedas.

En las fiestas de nuevo año noté una tradición muy rara: en el día 26 de diciembre las personas hacen muñecos de cartón en tamaño humano, y los ponen en frente a sus viviendas con una caja pedindo plata para “el viejo”. En el día 31/12 se colecta este dinero para comprar bebidas, y en el nuevo año las personas arrojan los muñecos en la calle y los queman, simbolizando la muerte del viejo año.

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[POR]
Para quem “mora andando” como eu, sempre chega a hora de seguir, assim que três dias após a partida de Murilo, no dia 3 de janeiro de 2018 atei meus equipamentos na bike e girei o pédivela. Era hora de subir o monte rumo às cordilheiras de Quito, em uma pedalada de 10 dias que vai de 0 a 4000 metros sobre o nível do mar.

Me esperava um trecho difícil, com uma incrível mudança paisagística e climática. A todo vapor fiz o caminho dos vulcões, passando por visuais dramáticos, sofrendo um pouco com as temperaturas negativas e altitude.

[ESP]
Para un nómada siempre llega el momento de seguir, así que tres días después de Murilo, en el 3 de enero de 2018 amarré mis equipos en la bici y giré la vela. Era momento de subir el monte rumbo las cordilleras de Quito, en un pedaleo de 10 días que varia de 0 a 4000 metros sobre el nível del mar.

Me esperaba un tramo duro, con un increíble cambio paisagístico y climático. A todo vapor yo hizo el camino de los volcanes, pasando por visuales dramáticos, sufriendo con las temperaturas negativas y altitud.

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[POR]
Pela primeira vez na vida eu pude olhar dentro de um vulcão. A laguna Quilotoa se formou na cratera de 9km de extensão e 250m de profundidade resultado de uma erupção há cerca de 800 anos atrás. Estudos afirmam que a lava chegou a atingir o litoral do oceano pacífico, há 200km de distância em linha reta. O emblemático vulcão Cotopaxi só ví de longe, já que quando entrei no Parque Nacional fui recebido por uma chuva de granizo e a neblina impedia a vista de alcançar o monte com seus mais de 5.800 m.s.n.m.

Em Quito, me dirigí à lendária Casa de Ciclistas de Tumbaco, comandada por Santiago Lara, que há mais de 25 anos recebe solidariamente ciclistas viajantes de todas partes do mundo. Em 1992, quando trabalhava em uma bicicletaria, Santiago se deparou pela primeira vez com um ciclista japonês que estava viajando de bicicleta, o convidou para sua casa e desde então não param de chegar ciclistas de todo o mundo. Naquela época eram uma a três pessoas ao ano, já hoje em dia chega a receber 200 ciclistas em um ano. Um intercâmbio fantástico que permite a troca de muitas experiências e incentiva o cicloturismo.

Não posso deixar de mencionar outro incrível reencontro: meus amigos italianos que viajam de bicicleta em família também estão em Quito, e aproveitamos para comemorar juntos 2 anos de viagem pelo continente, já que começamos a aventura no mesmo dia – eles em Ushuaia, Argentina e eu em São Paulo, Brasil.

Em linhas gerais eu vejo o Equador como um proeminente país de grandes obras viais, a qualidade de vida das pessoas é muito superior ao que encontrei no Peru, e em muitos lugares do Brasil. Todas as cidades que conheci tem parques públicos com áreas de lazer acessíveis aos cidadãos, e a saúde é grátis e parece funcionar de maneira rápida e eficiente. O turismo me pareceu muito bem estabelecido, e notei que todos ganham sua fatia. Desde os grande empresários donos de hotéis e agências, as pessoas mais simples que vendem corviche e salgadinhos na rua e até os viajantes como eu que vendem seus trabalhos e artesanatos para seguir viagem.

Obrigado a todos os leitores por estar sempre interagindo e compartilhando. Sigo firme rumo à Colombia, onde a meta de 2018 é atingir o Caribe e prepararme para cruzar em barco à Panama.

[ESP]
Por la primera vez en mi vida pudo mirar adentro de un vulcan. La laguna Quilotoa se formó en la cratera de 9km de extensión y 250m de profundidad resultado de una erupción hace cerca de 800 años atrás. Estudios dicen que los flujos volcánicos llegaron a costa del oceano pacífico, ubicado a 200km en línea recta. El emblemático vulcan Cotopaxi solo miré desde lejos, ya que cuando entré en el Parque Nacional fue recibido por una lluvia de hielo y las nieblas no me dejaron ver el monte de más de 5.8000 m.s.n.m.

En Quito, me dirigí a la legendária Casa de Ciclistas de Tumbaco, comandada por Santiago Lara, que hace más de 25 años recibe solidariamente ciclistas viajeros desde todas partes del mundo. En 1992, cuando trabajaba en una bicicleteria, Santiago se deparó por la primera vez con un ciclista de Japón que viajaba el mundo en bicicleta, lo convidó a su casa y desde entonces no paran de llegar ciclistas viajeros desde todos los puntos del globo. En aquel tiempo eran una o dos personas al año, ya hoy día llega a recibir 200 ciclistas en un único año. Uno intercambio fabuloso que permite la troca de experiencia y incentiva el cicloturismo.

No puedo dejar de mencionar otro increíble reencontro: mis amigos italianos que viajan en bici también están en Quito, y aprovechamos para comemorar 2 años de viaje por el continente, ya que empezamos la aventura en el mismo día – ellos en Ushuaia, Argentina y yo en São Paulo, Brasil.

De manera general yo veo el Ecuador como un país de avanzadas obras viales, la calidad de vida de las personas es muy superior al que encontré en Perú y en muchos sítios de Brasil. Todas las ciudades que conocí tienen parques públicos con áreas de lazer accesibles a los ciudadanos, y la salud es grátis y parece funcionar de manera rápida y eficiente. El turismo me pareció muy bien estabelecido, y noté que todos ganan su parcela. Desde los grandes empresários dueños de hotéles y agencias, las personas más simples que vienden corviches y facturas en la calle y hasta los viajeros como yo que venden sus trabajos y artesanias para seguir el viaje.

Gracias a todos los lectores por estar siempre interactuando y compartindo. Sigo firme rumbo Colombia, donde la recta de 2018 es llegar al Caribe y cruzar en barco a Panama.

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A vida virou um risco. Dois anos na estrada!

*Texto por Paula Faria, editado por Luis Antônio

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A princípio, viajar pode parecer simplesmente lazer, luxo ou um passatempo, no entanto, arrumar as malas e partir rumo ao desconhecido vai muito além disso. Está relacionado à relevância que damos às experiências vividas ao longo de nossa vida, à reconhecer que os problemas não são exclusivos do país ou cidade em que vivemos, à aprender a respeitar mais as pessoas e suas diferenças, à lidar com contratempos e, o mais importante, propicia um auto-conhecimento muito grande, resgatando nossas referências e expondo novas perspectivas de nós mesmos e do mundo.

É neste contexto que está inserido Luis Antonio Botelho da Cunha, 25 anos, desenhista industrial, que tem vivido a maravilhosa experiência de viajar pela América Latina com apenas alguns pertences amarrados em uma bicicleta.

Sua aventura começou há cerca de dois anos, quando se deparou com um mercado de trabalho difícil, uma vida sem muitas perspectivas e uma oportunidade incrível de fazer essa viagem e realizar seu sonho de conhecer a América Latina. Luis abraçou a oportunidade e, desde então, tem colecionado novos aprendizados e percepções a respeito da vida.

Saiu de São Paulo em 2016, passou por diversas cidades e lindas paisagens do Brasil, avançou pelo Uruguay onde foi se familiarizando com o espanhol, cruzou Argentina de leste à oeste pelas pampas e montanhas, pedalou o deserto do Atacama no Chile, conheceu os impressionantes contrastes paisagísticos e sociais na Bolívia, regressou ao Brasil pelo centro-oeste e em 2017 pedalando por Rondônia e Acre chegou ao Peru, país que recorreu de ponta a ponta pelas montanhas e vales amazônicos. Hoje, encontra-se no Equador, fazendo uma parada mais longa, trabalhando na praia Montañita, Santa Elena e aproveitando para descansar e se preparar para a próxima aventura: em 2018 conhecer o caribe e chegar nas cidades maias e astecas de Guatemala e México.

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As mudanças em seu comportamento foram desde as mais simples, como aprender a cozinhar, viver com poucos objetos e cuidar das próprias roupas, coisa que nunca necessitou fazer enquanto ainda morava na casa de seus pais, até as mais complexas, como o fato de confiar nas pessoas, ser mais responsável, tomar decisões difíceis e ser autossuficiente, ganhando e guardando seu próprio dinheiro, que utiliza para manter seus gastos durante a viagem e também para projetos futuros.

São incontáveis as experiências marcantes que foram vividas por Luis, mas, segundo ele, a mais desafiadora e emocionante foi a que obteve ao atravessar o Deserto do Atacama, o deserto mais seco do mundo. Estar viajando sozinho, através de um meio de transporte como a bicicleta, enfrentando variações exorbitantes de temperatura e terrenos difíceis, com poucos momentos de descanso e muita vulnerabilidade, propiciou momentos de introspecção, de conhecimento da própria essência e solucionou problemas internos. O viajante gosta de lembrar que “aprendi que nós passamos por experiências marcantes todos os dias, porém por termos uma vida confortável e estarmos acostumados com pequenos luxos – água encanada, eletricidade, banho quente, máquina de lavar, restaurantes -, acabamos não dando importância a essas experiências, mas devemos ser atentos a valorizar os aprendizados e sermos felizes com o que a vida nos proporciona”.

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Para ele, não importa o meio de transporte que decidirmos utilizar, o fundamental é viajar. Sair é, muitas vezes, a melhor forma de nos encontrarmos. Nos tira da bolha em que vivemos, nos torna menos preconceituosos, nos leva para muito além de nossa zona de conforto e faz com que nos sintamos capazes de realizar qualquer sonho e ultrapassar qualquer barreira. Por isso, incentiva todos ao redor do mundo a realizarem uma viagem como essa, através de seu blog (www.umrisco.wordpress.com) conta suas experiências de cicloviagem, justamente para que haja um intercâmbio de conhecimento. “Seria interessante se todos passassem por essa ‘faculdade de conhecimentos’, pois encaro a viagem exatamente dessa forma: como um investimento na própria sabedoria e na qualidade de vida”.

A história do Luis é, certamente, muito inspiradora e especial. E pode se tornar a sua, basta você desejar. Há ainda um caminho longo a ser percorrido por ele e muitas diferentes realidades o esperam, para que obtenha mais ensinamentos e histórias para contar. Quem quiser acompanhar sua trajetória, basta acessar os sites: http://www.umrisco.wordpress.com, http://www.fb.com/umrisco e http://www.instagram.com/avidavirouumrisco, onde encontrarão lindas fotos e descrições detalhadas a respeito de todos os lugares que já esteve ao longo dos dois últimos anos. Espero que essa história tenha tido o poder de despertar em todos os leitores essa vontade de explorar o mundo à nossa volta e a si mesmo, conseguindo com isso a evolução que tanto buscamos.

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Cicloviagem LatAm | Trecho 13#: Tarapoto, San Martin, Peru – Guayaquil, Guayas, Equador.

*Artículo traducido al español

[POR]
Queridos leitores, quase 90 dias se passaram desde que escrevi no blog pela última vez. O trecho 13 da expedição foi percorrido em 60 dias, já que fiquei um mês parado no extremo norte do Peru. Essa jornada marca a empreitada ao ocidente, e a realização de um sonho: conhecer as praias tropicais do oceano Pacífico.

Desde o 8 de julho, em Pucallpa ainda – selva baixa do norte peruano -, eu adquirí uma doença na barriga. Sofria de diarréia crônica e muita indisposição, porém como eu ficava bom durante alguns dias, fui levando esse quadro até Tarapoto. Já muito cansado de sofrer, resolvi tratar tomando antibióticos por conta própria. O sistema de saúde nessa região do Peru é falho, quem de fato me ajudou foi a companhia de bombeiros, que sempre prestava solidariamente alojamento por vários dias, de forma que pude me tratar e recuperarme. Subindo as serras amazônicas, doente porém firme no pedal, notei que algo estava para mudar. Era o momento de trabalhar.

[ESP]
Queridos lectores, casi 90 se pasaron desde que escribí la última vez. El tramo 13 de la expedición fue recorrido en 60 dias, ya que me quedé un mes parqueado en el extremo norte del Perú. Esta jornada es la caminata al ocidente, y la realización de un sueño: Conocer las playas tropicales del océano Pacífico.

Desde el 8 de julho, en Pucallpa aun – selva baja del norte peruano -, yo me enfermé de la barriga. sufría diarrea crónica y mucha indisposición, pero como mejoraba por algunos días, lleve esta condición hacia Tarapoto. Ya muy cansado de sufrír, empecé a tomar antibióticos por cuenta y riesgo. El sistema de salud de Perú es fallido en esta región, y quien me ayudo mismo fueron las companhias de bomberos, que siempre me alojaban por vários días, así que podría recuperarme. Subindo las sierras amazônicas, enfermo pero dando pedaleo, sentí que algo estaba para cambiar. Era momento de trabajar.

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Cicloviagem LatAm | Trecho 12#: Puerto Maldonado, Mde. de Dios – Tarapoto, San Martin, Peru

*Artículo traducido al español

[POR]
Olá amigos leitores! Faz um tempo que não escrevo por aqui, o terreno extremamente acidentado, aliado a constante variação climática, e a pouca oferta de internet WI-FI me fez um pouco distante dos teclados. Para pedalar esse trecho, foram quase 90 dias de aventura, portanto para facilitar o entendimento, separo o relato em temas: A subida que derrubou, conta sobre o desafio de voltar às cordilheiras. A cura, é a incrível surpresa que me ocorreu em Cusco. A todo vapor, relata as pedaladas nas altas montanhas do Peru e De volta ao paraíso retrata a descida a floresta, e minhas impressões finais.

[ESP]
Hola amigos lectores! Hace tiempo que no escribo por aqui. El terreno extremamente acidentado, junto al constante cambio climático, y la poca oferta de internet WI-FI me hicieron lejos del ordenador. Para pedalear este tramo, fueron casi 90 días de aventura, así que para organizar mejor separo este diário por temas: A subida que derrubou, cuenta como fue volver a las cordilleras. A cura, es la increíble sorpresa que me pasó en Cusco. A todo vapor, relata las pedaleadas por los cerros de Peru y De volta al paraíso retrata la bajada à selva y mis conclusiones.

A subida que derrubou

[POR]
Eu já imaginava o que me esperava. Depois de pedalar mais de três meses pelos planaltos cerrados e amazônia ocidental, era o momento de subir novamente à montanha. Uma senhora subida que chega a 4725m sobre o nível do mar (m.s.n.m).

Ainda me restavam uns 200km de pedal pela floresta, até começar as enormes subidas a partir do povoado Quince Mil. Aproveitei cada segundo para dormir na rede, tomar muita água de côco, e compartilhar com uma gente que se parece comigo, em sua forma de ser e comer.

[ESP]
Ya imaginaba lo que me esperaba. Después de pedalear más de tres meses por los llanos cerrados y amazonia ocidental, era momento de subir a la montaña. Una gran trepada que llega a 4725 metros sobre el nível del mar (m.s.n.m.).

Aun me restaba unos 200km por la selva, hacia que se empece las grandes trepadas desde el pueblo Quince Mil. Aproveche cada segundo para dormir en mi hamaca, tomar agua de coco, y compartir con una gente que se parece conmigo, en su forma de ser y comer.

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[POR]
Foi só cruzar a ponte sobre o caudaloso rio Iñambari que começaram as subidas e grandes problemas. O meu pneu dianteiro, recém comprado na fronteira do Brasil, começou a apresentar problemas no arame, o que faz criar umas bolhas na lateral, e é perigosíssimo, pois a qualquer momento pode explodir e causar uma queda horrível.

[ESP]
Solo cruzé el puente sobre el caudaloso río Iñambari que empezaron subidas y problemas. Mi llanta delantera, recién comprada en la frontera con Brasil, comenzó apresentar problemas en el alambre, esto hace unas bolas en la lateral que a cualquier momento pueden explotar, y así causar una queda horrible.

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Cicloviagem LatAm | Trecho 11#: Tangará da Serra, MT, Brasil – Puerto Maldonado, Perú

*Artículo traducido al español

Foi uma semana de desfrute que eu e Mariana tivemos na cidade de Tangará. Compartilhamos muito com os amigos do grupo Pedale, e seguimos firmes e descansados. A idéia era pedalar rumo a aldeia dos índios Paresi, e conhecer um pouco de sua cultura, além das belas paisagens. No blog há um relato especial sobre esse percurso.

Nessa região, pouco desmatada pelos fazendeiros do gado, pudemos experimentar um pouco do clima de cerrado, e se banhar nos caudalosos ríos. Viemos em boa hora, as constantes chuvas mantinham as estradas de areia em boas condições, além das lindas quedas d’agua.

Fue una semana de descanso que yo y mariana tuvimos en Tangará da Serra, MT. Compartimos mucho con los amigos del grupo Pedale, y seguimos fuertes. La ideia era pedalear rumbo a aldeia indígena de los indios Paresi, y conocer un poco de su cultura, además de las bellas paisajes. En el blog hay un relato especial sobre eso percurso (solo en portugues).

En esa región, poco desmatada por los jefes del ganado, pudimos probar el clima del cerrado, y bañarse en los fuertes ríos. Venimos en buena hora, las constantes lluvias dejaban las carreteras de arena buenas para el pedaleo, además de lindas cascatas llenas de água.

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Voltamos para o asfalto e em dois dias de pedalada chegamos na cidade de Campo Novo dos Parecis, MT. Abrigados na casa do amigo Ademar, eu e Mariana tomamos a decisão de nos separar, e cada um seguir seus objetivos em solitário. Nos despedimos com muita emoção, e enquanto Mariana voltava em ônibus para São Paulo, amarrei meus equipamentos na magrela, e pedalei rumo Vilhena, a primeira cidade do estado de Rondônia.

No caminho a Sapezal, passei novamente pelas terras dos Paresi, e aproveitei da oportunidade para me banhar no rio Sacre. Acampei em uma aldeia, e fui muito bem acolhido, sendo convidado para a janta e café, além de ganhar um colar muito lindo.

Volvemos al asfalto y en dos días de pedaleo llegamos en Campo Novo dos Parecis, MT. Alojados en la casa del amigo Ademar, yo y Mariana decidimos por nos separar, y cada uno seguir sus objectivos en solitário. Nos despedimos con mucha emoción, y mientras Mariana volvía en autobus hacia São Paulo, armé mis equipos en la bici, y pedaleé rumbo Vilhena, la primera ciudad del estado de Rondônia.

En el camino a Sapezal, pasé nuevamente por las tierras de los Paresi, aproveche la oportunidad para bañarme en el río Sacre. Acampé en una aldeia, y fue muy bien acojido, fue invitado a ceñar y a dasayunar con ellos, además de ser regalado con un muy lindo colar.

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Relato Especial: Os Paresi da Chapada

Em meu recorrido pelo centro-oeste brasileiro me deparei com uma nova realidade, nunca antes conhecida por mim: As reservas indígenas. Devo dizer que fiquei vislumbrado de conhecer um “Brasil selvagem”, onde a língua oficial não é o português, as casas não são quadrangulares, e os costumes singulares.

Os Parecis, povo indígena, vivem hoje espremidos entre centenas de milhares de hectares de soja, milho e gado. Com as tradições e costumes já muito alterados devido ao contato com o catolicismo, vivem ainda índios em sua plenitude. Banham-se em rios, trabalham de acordo com suas regras, e se conversam em Aruaque – sua língua materna. Alguns inclusive vivem em suas ocas e dormem em redes, depois de ver a novela e checar as redes sociais, é claro.

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Ao que consegui compreender das conversas com os caciques, e dos meus estudos acerca de suas origens, os Parecis começaram o contato intensivo com o homem branco só no início do século XX, quando Marechal Rondon, em expedição militar, passou pela região a construir o telégrafo para conectar a capital – Rio de Janeiro – à Amazonia Ocidental.

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O primeiro lugar que tive contato com os Parecis foi na cabeceira do rio Formoso, em Tangará da Serra/MT. Nessa aldeia fomos recebidos de forma atípica: de início o cacique queria nos cobrar um valor para a entrada, até que entendeu que estamos cruzando o continente a conhecer as nações latinoamericanas, e não nos resta muito dinheiro, além do necessário para comprar comida no caminho. Depois de explicar que estamos pedalando mais de três semanas pela Chapada dos Parecis, desde Nobres/MT, e só para chegar a essa aldeia foram quatro dias em estradas de barro de péssimo estado, o cacique Nelsinho nos proveu um local para acampar por duas noites.

Ao entender o nosso propósito – e ver as fotos que eu trazia de outros lugares do continente – a agitação foi geral. Os moradores da aldeia vinham, revezadamente, a nos conhecer e falar conosco em nosso acampamento. Os dois dias que estivemos lá pudemos absorver um pouco da cultura Paresi, arriscar umas palavras em Aruaque – sua língua materna -, e também contar um pouco do que vimos mais a lá das chapadas do centro sulamericano.

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Parecidos com os bolivianos não só em fisionomia, mas também em seu jeito fechado, conforme ganhamos intimidade, eles se abriram e levaram-nos gentilmente a conhecer um pouco de seus costumes e belezas naturais.

Sempre preocupado com nossa partida, o cacique do rio Formoso nos arrumou uma carona para nos levar diretamente ao asfalto. Uma gentileza que nos fez economizar mais de 20km de “empurrada” em estradas de areião.

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O meu segundo contato com os índios Parecis foi na estrada que liga Campo Novo dos Parecis/MT a Sapezal/MT. Ao contrário do que muitos me falavam acerca do pedágio dos índios, a única coisa que me cobraram foi explicações de onde eu vinha, e na verdade eu que saí ganhando água gelada e um tapinha das costas, “É muito coraji memo!”.

O pedágio dos Parecis é visto com maus olhos pelas pessoas da região, entretanto eu acho que é uma forma justa de angariar verba para melhorar a situação de vida, visto que a estrada, muito usada pelos fazendeiros para escoar a produção, passa por terra Indígena. As terras e ríos que outrora floresceram de fertilidade, hoje estão pobres e devastados pela ação dos latifundiários da soja e gado. Para viver nos dias de hoje, é necessário dinheiro.

Acampei em uma aldeia, 8km depois do pedágio, e lá fui muito bem recebido. Entendi a relação de troca, e com isso acabei ganhando um lindo colar, além de ser guiado no dia seguinte para uma cachoeira no rio Sacre.

No dia seguinte, ao olhar atento do cacique Narciso, parti de viagem. Posso dizer que fiquei muito feliz de ver pessoas simples que, no meio desse grande deserto criado pela ganância financeira, vivem felizes sob suas regras e costumes.

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Cicloviagem LatAm | Trecho #10: Campo Grande, MS, Brasil – Tangará da Serra, MT

*Artículo traducido en español

Com início em 13 de Janeiro de 2017, esse trecho trouxe muitas boas surpresas. A melhor delas é que minha namorada e companheira, Mari da Luz, vai me acompanhar na viagem de agora em diante. Fomos recebidos pelo casal Odair e Beth em Campo Grande e, após uma estupenda acolhida, pedalamos confiantes rumo ao norte desconhecido.

Apesar de todo trecho até Rondonópolis, MT ser pela BR163 – região de gado e soja, muito movimentada -, deu pra curtir umas cachoeiras e balneários em Rio Verde de Mato Grosso, MS.

Con início en 13 de enero de 2017, eso tramo fue de muchas buenas sorpresas. La mejor es que ahora voy viajar acompañado de Mari da Luz, mi novia. Fuimos acogidos en Campo Grande por la pareja Odair y Beth, y después de disfrutar de la recepción, pedaleamos confiantes rumbo al norte desconocido.

Todo el tramo hacia Rondonópolis, MT fue por una ruta nacional – región de soya y ganado, muy transitada -, pero nosotros pudimos nos refrescar en algunas cascatas en Rio Verde de Mato Grosso, MS.108

A grande maioria dos 500km que separam o estado do Mato Grosso do Sul do Mato Grosso é pura plantação de soja – destinada ao gado – ou pasto para bois. Essa característica gerou grande desconforto para nós, pois era muito difícil encontrar sombra. A oferta de verduras e frutas nos mercados também era muito precária, visto que esses produtos têm de vir de outros estados para abastecer a região.

La gran mayoría de los 500km que separon la província de MS con MT es puro campo de soya – para el ganado – o pasto para buey. Esa característica generó gran discomfort para nosotros, pues es muy difícil encontrar una sombra. La oferta de verduras y frutas en los almacenes tambíen es muy flaca, visto que esos productos tienen que venir de otras provincias para abastecer la región.

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Crônica: Uma carta a meu amigo.

*Artículo traducido en español por Edû A. Espinoza

Caro amigo,

Conto-lhe que nos últimos tempos estive atravessando muitas terras. Florestas, mangues, trópicos e pampas a perder de vista. E que vista as montanhas do deserto! Com os antigos, aprendi a escutar os ensinamentos do clima e geografia. Com os silvestres animais dos impenetráveis alagados amazônicos, percebi que cada um tem seu espaço neste mundo, mas há que lutar por um lugar à sombra.

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Ainda em meu hibernáculo, juntava muitos pertences os quais julgava necessários para sobreviver às intempéries desta jornada. Roupas e ferramentas de mais para experiência de menos. O peso, meu amigo, o peso e a geografia me ajudaram a escolher o que era realmente necessário. A solidão das praias desertas me ensinou a necessidade do equilíbrio individual.

Não se engane, o amigo esteve lá, sempre pronto a me ajudar, porém isso ocorreu somente quando entendi o amor por meu corpo, minhas ideias e meus sonhos. Nas úmidas e gélidas pampas o que mudava não era a paisagem, e sim as pessoas. Adequar-se às culturas e costumes, assim como quem se adequa ao verão ao se banhar em um rio, foi o que moveu meu coração.

E como  pulsava esse coração ao ver, novamente, montanhas no horizonte! Entre altos e baixos fiz meu caminho, o norte dos meus sonhos. Caro amigo, estiveste na porta do deserto para me receber, me ensinaste os modos e me deste as ferramentas, para que só, eu pudesse vencer meus medos. E entre areia, pedras e o vento que as ama, no sítio mais alto em que pus meus pés, foi onde vislumbrei o magnífico. Sonhos cada vez mais realistas tentavam sacar-me da magnífica e seca realidade.

O afã de perseguir esses sonhos cobrou seu preço. O sofrimento de, uma vez mais, atravessar cordilheiras montanhosas, não foi nada. A calorosa recepção ao pé da última montanha encheu meu espirito de energia. O preço veio depois. Ser enganado, roubado e maltratado recobrou a necessidade de buscar o equilíbrio individual. Só assim, meu caro amigo, tu abriste novamente tuas portas a mim.

Aprendi que todo bônus tem seu ônus. Pelos prados amazônicos sigo a teu lado, sempre buscando, em medidas, o equilíbrio dos opostos, a saber que quanto maior o esforço, maior a recompensa. Escrevo-te para que fique registrado meu apreço por tua constante presença. Tu, meu amigo, que deste incentivo e me acompanhou quando precisei, ou mesmo quando só proferiu uma palavra de sorte é, junto de mim, o maior realizador desta jornada.

Grande abraço,

Teu sempre amigo, o colecionador de emoções.

Querido amigo,

Te cuento que últimamente he pasado por muchas tierras. Bosques, manglares, trópico y pampa hasta donde se pierde la vista. Y qué vista la de las montañas del desierto! Como los antiguos, he aprendido a escuchar las enseñanzas del clima y la geografía. Con los animales silvestres de los impenetrables anegados de la Amazonía me di cuenta que cada uno tiene su lugar en este mundo, pero hay que luchar por un lugar en la sombra.

Aún en mi hibernáculo, junté muchas cosas que creía que necesitaba para sobrevivir a la intemperie en estas jornadas. Ropas y herramientas de más por experiencias de menos. El peso, mi amigo, el peso y la geografía me ayudaron a escoger lo que realmente necesitaba. La soledad de las playas desiertas me enseñó la necesidad del equilibrio individual.

No se equivoque, el amigo estaba allí, siempre dispuesto a ayudarme, mas eso fue sólo cuando entendí el amor por mi cuerpo, mis ideas y mis sueños. En la pampa húmeda y helada lo que cambió no fue el paisaje, sino las personas. Adaptarse a las culturas y costumbres, como quien se adapta al verano mientras se bañaba en un río, era lo que movía mi corazón.

Y cómo latía ese corazón al ver de nuevo las montañas en el horizonte! Entre altos y bajos hice mi camino hacia el norte de mis sueños. Estimado amigo, estabas allí en la puerta del desierto para recibirme; me enseñaste las formas y me diste las herramientas para que -sólo- pudiera superar mis miedos. Y entre la arena, rocas y el viento que las ama, en el lugar más alto donde puse mis pies, fue desde donde vislumbré lo magnífico. Sueños cada vez más realistas trataban de sacarme de la magnífica y seca realidad.

El afán de perseguir esos sueños tuvo su precio. El sufrimiento de, una vez más, cruzar cordilleras no era nada. La calurosa bienvenida al pie de la última montaña llenó mi espíritu de energía. El precio llegó más tarde. Al ser engañado, robado y maltratado recuperé la necesidad de buscar el equilibrio individual. Sólo así, mi querido amigo, has abierto de nuevo tus puertas para mí.

Aprendí que cada bonificación tiene su precio. Por los prados amazónicos sigo a tu lado, siempre buscando, con medida, el equilibrio de los opuestos. Es decir, que cuanto mayor sea el esfuerzo, mayor será la recompensa. Me dirijo a ti para que quede constancia de mi agradecimiento por tu presencia constante. Tu, mi amigo, que me diste incentivo y me acompañaste cuando lo necesitaba, o incluso cuando sólo pronunciaste una palabra de suerte estás conmigo, el más grande realizador de esta jornada.

Gran abrazo,

Tu amigo siempre, el coleccionador de emociones.

 

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