Artigo especial: Mochilas e botas no mundo!

*Artículo traducido al español

[POR]
Em este artigo vou compartilhar com vocês o registro de viagens que realizei com Mariana entre 2012-2018, e que de certo me inspira em muito para estar viajando América Latina em bicicleta desde 2016. Mariana, minha grande companheira nestes últimos cinco anos, já é velha conhecida dos amigos leitores: juntos pedalamos pelo Vale Europeu em sul de Brasil e mochilamos por Bolívia em 2016, em 2017 a Mari pedalou 1.500KMs no centro-oeste do Brasil comigo e durante minha passagem por Peru visitamos juntos as ruínas de Machu-Pichu.

[ESP]
En este artículo voy compartir con ustedes el registro de viajes que realicé con Mariana mientras 2012-2018, cierto que estas aventuras inspiran a mi estar recorriendo América Latina en bicicleta desde 2016. Mariana, mi gran compañera destes cinco últimos años, ya es vieja conocida de los amigos lectores: juntos pedaleamos por el Valle Europeu en sur de Brasil y viajamos por Bolívia en 2016, en 2017 Mari recorrió por 1.500KMs en bicicleta a mi lado, y durante mi pasaje por Perú visitamos juntos las ruínas de Machu-Pichu.

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[POR]
Desde 2012 é que conhecemos o mundo do eco-turismo. Em passeios com amigos começamos a frequentar cachoeiras situadas próximo de São Paulo, e logo percebemos o quão saudável e bonito é estar perto da natureza. Nosso interesse nos levou a sites e blogs que relatavam experiências de acampamento e imersão na selva, usando equipamentos como barracas, fogareiros, mochilas e botas de caminhada. Nos parecia que era possível estar em contato com a natureza de forma intensa, e ainda sim viver com conforto e boa alimentação. No fim de 2014, que em 12 dias de férias que tiramos de nossos trabalhos, sonhamos pela primeira vez subir uma montanha e acampar. Escolhemos um lugar em Minas Gerais devido ao baixo custo da passagem e as facilidades estruturais da região.

[ESP]
Desde 2012 es que conocemos el mundo del eco-turismo. En excursiones con amigos empezamos a irnos a cascatas en las cercanías de Sao Paulo, y luego vimos com es bueno estar cerca de la naturaleza y sus encantos. Nuestro interés nos llevó a páginas-web que hablaban del tema, relatando viajes con carpa, estufa para cocina, mochilas y botas. Nos pareció que es posible estar más cerca de la naturaleza y aún sí tener mucho confort. En fines de 2014, que en 12 días de vacaciones de nuestro trabajo, sueñamos por la primer vez subir un cerro y hacer camping. Elegimos un sítio en Minas Gerais, Brasil debido al pasaje barato y facilidades estructurales de la región.

DEZ/2014: PICO DA BANDEIRA – ALTO DO CAPARAÓ, MG, BRASIL

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[POR]
Decidimos conhecer o Pico da Bandeira, terceira maior montanha do Brasil com seus 2.892 m.s.n.m. A escolha se deu aí porque há o Parque Nacional Alto do Caparaó muito bem estruturado, e por R$15 de entrada mais R$6/dia (preços de 2014) se pode acampar em uma área natural que conta com água potável, vestiário e banheiro. Uma passagem de avião muito barata entre São Paulo/SP – Vitória/ES nos levou rapidamente à região, e com um ônibus Vitória/ES – Manhumirim/MG – Alto do Caparaó/MG chegamos aos pés da montanha mais alta do sudoeste brasileiro.

Sem nenhum conhecimento em campismo ou trekking, pesquisamos todas as informações e dicas em sites e blogs da internet. Chegamos a conclusão que era necessário uma barraca, fogareiro e comida para ter conforto nas alturas. Em listas intermináveis detalhamos todos os equipamentos e acessórios que julgamos importante levar. Após algumas semanas de planejamento concluímos que poderíamos passar 7-10 dias no acampamento-base e em um destes dias fazer a fácil ascensão ao cume, 14km de caminhada por uma trilha muito bem sinalizada.

[ESP]
Decidimos conocer el Pico da Bandeira, tercera cumbre más alto de Brasil con sus 2.892 m.s.n.m. Quisimos conocer este lugar pues ahí está el Parque Nacional Alto do Caparaó, muy bien estructurado. A R$15 la entrada y más R$6/día se puede acampar en un sítio natural con baño, água potable y duchas. Um pasaje de avión muy barato São Paulo/SP – Vitoria/ES nos llevó rapidamente a región, y con un bus Vitoria/ES – Manhumirim/MG – Alto do Caparao/MG llegamos al pie del cerro más grande del suroeste brasileño.

Sin ningún conocimiento en camping o trekking, buscamos todas las informaciones en páginas-web. Llegamos a conclusión que se necesitaba una tienda de campaña, estufa y comida para viajar con confort. En listas interminables detallamos todos los equipos y accesorios que juzgamos importante llevar. Algunas semanas después planeamos pasar 7-10 días en el campamento y en uno de estes, subir el cerro por un sendero muy bueno y fácil de 14km.

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[POR]
A verdade é que a experiência de camping nos resultou muito satisfatória. Logo nos acostumamos à rotina de cozinhar café, almoço e janta à companhia dos animais silvestres e rodeados por uma exuberante natureza. Nós visitamos a região bem na época de chuvas – dezembro -, o verão, e por este fato o acampamento-base estava praticamente vazio – a temporada na região é em julho, época de poucas chuvas e muito frio -, o clima quente aliado a nossa sorte de pegar dias de céu limpo e muito sol nos propiciou muito desfrute ao ar livre e muitas visitas a rios e cachoeiras em volta de nosso acampamento.

Tivemos a oportunidade de conhecer alguns acampantes de muita experiência. Para nós foi um imenso prazer ouvir histórias de aventuras em outros cantos do mundo e tomar conhecimento de um universo totalmente novo: o eco-turismo autossuficiente. Um casal em particular foi muito importante para que nossa viagem fosse perfeita: Regina e Fábio tinham bastante experiência em trekkings e Fábio já havia feito a trilha ao Pico da Bandeira diversas vezes, assim que nos convidou para fazermos a trilha de madrugada de forma que pudéssemos admirar o pico no nascer do sol.

[ESP]
La verdad es que para nosotros la experiencia del camping fue muy buena. Luego nos acostumbramos a rotina de cocinar desayuno, armuezo y cena en la compañía de los animales silvestres y rodeados por naturaleza. Visitamos la región en la temporada de lluvias – diciembre -, el verano, y por eso el base-camp estaba prácticamente vacío – la época de visitas es en Júlio, con poca lluvia y mucho frío -, el clima caliente y nuestra suerte de estar en días de cielo despejado nos propició mucha alegría en ríos y cascatas en las cercanías.

Tuvimos la oportunidad de conocer algunos acampantes de mucha experiencia. Fue un inmenso placer escuchar historias de aventuras en otras partes del mundo y conocer un universo totalmente nuevo: el eco-turismo auto-suficiente. Una pareja de amigos fue muy importante para que el viaje fuera perfecto: Regina y Fábio tenían mucho conocimiento en aventuras y Fábio ya había subido hasta el Pico da Bandeira muchas veces, así que nos invitó a subir con ellos en la noche, de manera a admirar la cumbre a lo primer rayo del sol.

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[POR]
Na madrugada do dia 25/12/2014 que ascendemos pela primeira vez ao cume de uma montanha, por volta das 3 A.M. saímos Mariana e eu de nosso acampamento e seguimos a trilha que nos levaria, 8km mais adiante, ao acampamento de nossos amigos Fábio e Regina. Sem dificuldade, com nossas lanternas nos orientamos pelo muito bem sinalizado caminho e chegamos por volta das 4h30 A.M. ao encontro do casal. De lá a subida ficou mais dura, e a falta de experiência nos custou um cansaço e esgotamento prematuro, entretanto com a ajuda de nossos amigos conseguimos contemplar o nascer do sol com um céu muito limpo e uma vista espetacular.

Que loucura passamos, a 2892m.s.n.m. nosso suor congelou e a comida que levamos não era suficiente para matar nossa enorme fome. Imagine só, ter que usar casacos grossos e lidar com o congelamento da ponta dos dedos em pleno verão de Minas Gerais! Depois de dormir um pouco baixo sol contemplamos uma estupenda manhã no alto das montanhas. Os visuais alucinantes valeram o esforço e nós ficamos totalmente extasiados com a experiência. Chegamos à conclusão que esse é o tipo de viagem que mais gostamos e as ideias para próximas aventuras giravam em torno de acampamentos e áreas naturais.

[ESP]
En la noche del 25/12/2014 que subimos por la primera vez una montaña, por las 3 A.M. salimos Mariana y yo de nuestro acampamento y seguimos al sendero que nos llevaría, 8km mas adelante, al campamento de nuestros amigos Fábio y Regina. Sin dificultad, con nuestras linternas nos orientamos por el muy bien hecho sendero y llegamos a las 4h30 A.M. al encuentro de los amigos. Desde allá la subida quedó más difícil, y nuestra falta de experiencia nos costó un cansancio prematuro, todavía con la ayuda de nuestros amigos pudimos contemplar en nacimiento del sol con cielo límpido y vista espetacular.

Que locura pasamos, a 2.892 m.s.n.m. nuestro sudor se congeló y la comida que llevamos no alcanzaba para matar la hambre. Imaginase, haber que usar camperas abrigadas y tener las puntas del dedo congeladas en pleno verano de Minas Gerais! Después de dormir un poco bajo el sol contemplamos una maravillosa mañana arriba en las montañas. Los visuales impresionantes compensaron el esfuerzo y quedamos totalmente vislumbrados con la experiencia. Concluímos que este es el tipo de viaje que más nos gusta y ideas acerca de otras aventuras no paraban de nos ocurrir.

OUT/2016: PARQUE NACIONAL AMBORÓ – BUENA VISTA, SANTA CRUZ, BOLÍVIA

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[POR]
No decorrer dos anos de 2015-2018 Mariana e eu nos separamos momentaneamente devido a projetos pessoais, entretanto continuamos a fazer algumas aventuras juntos – conforme descrito no ínicio desse artigo. Uma aventura em particular foi uma linda caminhada aos pés do Parque Nacional Amboró, na parte quente do lindo país que é a Bolívia.

Mariana veio visitarme no meu passo por Bolívia, e tiramos 16 dias para conhecer sua família boliviana e fazer alguns passeios. Decidimos fazer um acampamento selvagem pelo rio Surutú, afim de passar um fim de semana relaxado em meio à natureza. Levando nossos equipamentos de camping pudemos desfrutar de muita paz no meio da natureza e observar um raro fenômeno dessa região onde a lua fica com uma tonalidade rosada.

[ESP]
En los años de 2015-2018 Mariana y yo nos separamos en función de nuestros proyectos personales, todavía continuamos hacer algunas aventuras juntos – descritos en el início del artigo. Una aventura en particular fue una linda caminata al pie del Parque Nacional Amboró, en la parte caliente del lindo país que es Bolívia.

Mariana vino a visitarme en mi paso por Bolívia, y sacamos 16 días para conocer su família boliviana y hacer algunos paseos. Decidimos hacer un campamento salvaje en el río Surutú, en vías de pasar el fin de semana en la naturaleza. Llevando nuestros equipos de camping pudimos disfrutar de mucha paz en medio la naturaleza y observar un distinto fenómeno donde la luna queda con color rosado.

MAR/2018: Mochilão na Europa e Africa – Alemanha, Suécia, Noruega e Marrocos

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[POR]
Viajar em bicicleta de 2016-2018 por América me resultou muitíssimo econômico, graças aos povos latinos que sempre me estenderam a mão, e dois trabalhos que realizei no Peru e Ecuador. Praticamente não gastei nada de minhas economias, que venho trazendo de trabalhos realizados em São Paulo, Brasil. Devido a este fato, decidi gastar este dinheiro para encontrar minha amada Mariana na Europa. Há mais de 7 meses ela está fazendo intercambio e trabalhando na cidade de Leipzig, Alemanha, e em março de 2018 ela tirava férias da universidade, data perfeita para nos encontrarmos para uma nova aventura. Os relatos abaixo foram escritos e traduzidos pela própria Mariana:

[ESP]
Viajar en bicicleta de 2016-2018 por América me resultó mucho económico, gracias la ayuda de los pueblos latinos que siempre me dieron la mano, y dos trabajos realizados en Perú y Ecuador. No gasté casi nada de mis economías, que tengo de trabajos realizados en Sao Paulo, Brasil. Decidí gastar este dinero para encontrar mi amada Mariana en Europa. Há mas de 7 meses ella está estudiando y trabajando en Leipzig, Alemania, y en marzo de 2018 sacaba vacaciones, fecha perfecta para vernos y hacer una aventura. Los escritos abajo fueron hechos por la misma Mariana:

AVENTURA CONGELANTE (texto e tradução: Mariana da Luz Soares Viscarra)

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Desta vez não foi de bicicleta. Quando o Luís me deu a feliz notícia de que viria à Alemanha para me visitar durante meu intercâmbio, eu já tinha quase tudo pronto para minhas férias, de modo que, com medo de ele não querer viajar para onde eu já havia planejado, o jeito foi reservar as passagens sem antes consultá-lo sobre ir para o Círculo Polar Ártico… Eu havia posto em minha cabeça que queria ver uma Aurora Boreal. Então reservei as passagens mais econômicas e voamos para Estocolmo.

Em pleno inverno europeu, com a paisagem urbana já coberta por neve, o plano era pegar o trem noturno que parte da capital sueca ao sul rumo ao extremo norte do país, em Kiruna. Para nossa má-sorte e por conta de minha total falta de preparo no que diz respeito à uma pesquisa prévia sobre nosso objetivo e destino, não sabíamos que no inverno é melhor realizar esse trajeto em ônibus. Por conta de muita neve, frequentemente os trens suecos apresentam problemas e atrasos longuíssimos. Na ida foram 3 horas de espera na estação; na volta, 7 horas. Pelo menos, após todo o cansaço gerado pela espera, a viagem pôde ser confortável; porém, o que mais me chamou a atenção foi a paisagem deste trecho.

[ESP]
Esta vez no fue en bici. Cuando Luis me dió la feliz noticia de que iba a venir a Alemania a visitarme durante mi intercambio, yo ya tenía casi todo listo para mis vacaciones, así que, con miedo de él no querer viajar para donde yo ya había planeado, la forma fue reservar los billetes sin antes consultarlo sobre ir al Círculo Polar Ártico… Yo había puesto en mi cabeza que quería ver una Aurora Boreal. Entonces reservé los billetes más económicos y volamos para Estocolmo. 

En pleno invierno europeo, con el paisaje urbano ja cubierto por nieve, el plan era agarrar el tren nocturno que parte de la capital sueca ao sur rumbo al extremo norte del país, en Kiruna. Para nuestra mala suerte y por cuenta de mi total falta de preparo en lo que dice respeto a una pesquisa previa sobre nuestro objetivo y destino, no sabíamos que en el invierno es mejor hacer este trayecto en autobús. Por cuenta de mucha nieve, frecuentemente los trenes suecos presentan problemas y atrasos muy largos. En la ida fueran 3 horas de espera en la estación; en la vuelta, 7 horas. Por lo menos, después del cansancio generado por la espera, el viaje puede ser confortable; pero lo que más me llamó la atención fue el paisaje de este trecho.

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[POR]
Eu nunca tinha visto tanta neve em minha vida. É claro que eu sabia que seria frio – e agradeço muito à gentileza de meus amigos alemães que nos emprestaram bons casacos de inverno, sem os quais a realização deste sonho não seria possível -, mas eu realmente não sabia muito bem o que esperar e a surpresa deste lugar inóspito me encheu daquele sentimento já conhecido e muito querido: a emoção de, no silêncio, ser preenchido pela grandeza da Natureza quando se está a sós com ela e nos damos conta do quão pequeno somos e do quão pouco sabemos sobre a Vida.

Mesmo que vendo da  janela de um trem, foi algo muito impactante para mim passar tantas horas observando aquela mesma paisagem, tão quieta, intacta e robusta. Fiquei feliz por ver ao vivo uma área tão grande de gelo do mapa. Cruzamos o Círculo Polar Ártico e chegamos à uma latitude de 67º a apenas 2.462 km do Polo Norte.

Tanto em Kiruna quanto em Narvik (já do lado norueguês da fronteira), nosso objetivo não era realizar turismo nas duas cidades mineiras que têm o ferro como base de sua economia e sim, como dito, poder observar o fenômeno da Aurora Boreal.

Tudo começa no Sol, uma estrela com atividades nucleares muito intensas em seu interior. Posto de maneira simples, podemos dizer que toda essa atividade gera explosões na camada mais superior do Sol, de forma que uma certa quantidade do material de seu interior é expelido e recebe o nome de vento solar, o qual viaja pelo Espaço até adentrar a órbita terrestre, sendo canalizado então para seus polos. Os elétrons presentes nos ventos solares interagem com os gases da atmosfera terrestre e resultam nas Auroras Austrais (no polo sul) e Auroras Boreais (no polo norte).

E o sonho se cumpriu. Sem estar esperando por isso, olhamos arbitrariamente pela janela do hotel em Narvik e, para nossa surpresa, mesmo com as luzes da cidade, lá estava ela. Começou como uma nuvem que te chama a atenção em meio a um céu completamente escuro. Então a nuvem ficou mais clara e depois esverdeada. Quando vimos, rapidamente a cor ficou ainda mais forte e então as luzes começaram a dançar no céu. Foi mágico. Realmente muito emocionante, mesmo que não tenha sido a Aurora Boreal de intensidade mais forte possível de se ver.

No dia seguinte, fomos para uma cabana aos pés de uma montanha. A ideia era estarmos mais afastados da cidade para observar melhor o fenômeno. Na primeira noite deu certo; porém, por incrível que pareça, desta vez foi mais fraco do que na cidade. De todas as formas, foi lindo. Valeu à pena esperar naquela noite congelante.

[ESP]
Yo nunca había visto tanta nieve en mi vida. Naturalmente yo sabía que iba a hacer frío – y agradezco mucho a la gentileza de mis amigos alemanes que nos prestaron buenos abrigos de invierno, sin los cuales no sería posible realizar este sueño -, pero yo realmente no sabía muy bien qué esperar y la sorpresa de este sitio inhóspito me llenó daquel sentimiento ja conocido y muy querido: la emoción de, en el silencio, ser llenado por la grandeza de la Naturaleza cuando si estás sólo con ella y nos damos cuenta de lo pequeño que somos y de lo poco que sabemos de la Vida.

Mismo que de una ventana de un tren, fue algo muy impactante para mi pasar tantas horas mirando aquel paisaje, tan tranquilo, intacto y robusto. Quedéme contenta por ver en vivo una área tan grande de hielo del mapa. Cruzamos el Círculo Polar Ártico y llegamos a una latitud de 67 grados a solamente 2.462 km del Polo Norte.

En Kiruna como en Narvik (ja del lado noruego de la frontera), nuestro objetivo no era realizar turismo en las dos ciudades mineras que tienen el hierro como base de su economía y sí, poder mirar el fenómeno de la Aurora Boreal.

Todo empieza en el Sol, una estrella con actividades nucleares muy intensas en su interior. Puesto de forma simples, podemos decir que toda esa actividad genera explosiones en la camada más superior del Sol, así que una cierta cantidad del material de su interior es expelido y recibe el nombre de viento solar, lo cual viaja por el Espacio hasta que adentre la órbita terrestre, cuando es canalizado para sus polos. Los elétrons presentes en los vientos solares interagen con los gases de la atmósfera terrestre y resultan en las Auroras Australes (en el polo sur) y Auroras Boreales (en el polo norte).

Y el sueño si cumplió. Sin estar esperando por eso, miramos arbitrariamente por la ventana del hotel en Narvik y, para nuestra sorpresa, mismo con las luces de la ciudad, ahí estaba ella. Empezó como una nube que te llama la atención en medio a un cielo completamente oscuro. Entonces la nube se hizo más clara y después verde. Cuando miramos, rápidamente el color se quedó más fuerte y las luces empezaron a bailar en el cielo. Fue mágico. Realmente muy emocionante, mismo que no tenga sido la Aurora Boreal de intensidad más fuerte posible de ver.

En el día siguiente, fuimos para una cabaña a los pies de una montaña. La idea era estar más lejos de la ciudad para observar mejor el fenómeno. Logramos en la primera noche; pero, por increíble que parezca, esta vez fue más débil que en la ciudad. Mismo así, fue lindo. Valió la pena esperar en esta noche congelante.

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[POR]
De volta à Alemanha, onde também não faz exatamente muito calor, tudo o que eu queria era curtir uma boa praia e descongelar. Não somente pelo clima extremo (chegamos a pegar -20ºC), mas também pelos preços altíssimos exercidos na Noruega e na Suécia e também, por mais caro que seja, o mal serviço prestados pelos hostels, queríamos partir para um destino mais quente e que coubesse melhor no nosso bolso. E embarcamos de volta no trem, mas desta vez sentido sul. Próxima parada: Marrocos.

[ESP]
De vuelta a Alemania, donde también no hace exactamente mucho calor, todo lo que quería era una buena playa y descongelar. No solamente por el clima extremo (llegamos a tomar -20ºC), pero también por los precios muy altos ejercidos en la Noruega y Suecia y también, por más caro que sea, el malo servicio prestado por los albergues, queríamos partir hacia un destino más cálido y que encajaría mejor en nuestro bolsillo. Y así embarcamos de vuelta en el tren, pero ahora sentido sur. Próxima parada: Marruecos.

PÉ NA AFRICA (texto e tradução: Mariana da Luz Soares Viscarra)

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[POR]
Lembro-me da felicidade ao chegar no aeroporto de Tanger, Marrocos. Céu azul, palmeiras e o cheiro do mar. Mas não durou muito a alegria. Logo no primeiro táxi que pegamos já sentimos que fomos de certa forma enganados. Cobraram-nos algo como 50 dirham (moeda local, valor equivalente a 4,50 euros) a mais do que estava escrito na placa oficial. Além de confirmar o que já tínhamos ouvido sobre o Marrocos, de que é sempre necessário negociar o preço das coisas, também já pudemos perceber a dificuldade que seria a barreira do idioma. O taxista só falava árabe, por isso a conversa foi com um colega dele, num misto de inglês, espanhol e francês desesperado de minha parte. Pelo menos em Tanger e outras cidades do norte há muitas pessoas que falam espanhol, o que ajudou muito para nos adaptarmos nos primeiros dias, mas, quando começamos a ir mais ao sul, tivemos de sobreviver com meu francês precário e mímica. São poucas as pessoas que falam inglês.

As cidades maiores costumam ser divididas em dois espaços distintos: a cidade nova, com prédios altos e vida moderna à la Europa e a Medina, cidade antiga cercada por uma muralha usada no passado contra invasões e sempre com uma grande mesquita no centro. De ruas estreitíssimas e comércio profuso, no primeiro dia não podemos negar que tivemos medo. Em um curto trecho caminhando, o turista é abordado diversas vezes. Querem vender-lhe souvenirs, levá-lo a um hotel ou restaurante, indicar-lhe qualquer caminho que esteja procurando e também vendê-lo haxixe. E é difícil dispensá-los, pois são insistentes e vão caminhando contigo.

Como dito, no primeiro dia foi um choque para nós, mas então entendemos que é disso que vive muita gente, os chamados “intermediários”. Vivem de comissões quando levam o turista a uma loja, restaurante ou hotel específico. E as crianças aprendem rápido. Meninos de 10 anos perguntam “English? Français? Español?” e insistem que você vai se perder (o que não é difícil) nas ruas da Medina e o melhor seria deixar-se guiar por uns trocados.

[ESP]
Acuerdo de la felicidad que fue llegar al aeropuerto de Tanger, Marruecos. El cielo azul, palmeras y el olor del mar. Pero no duró mucho la alegría. Luego en el primer taxi que tomamos ja sentimos que fomos como que engañados. Nos cobraron algo como 50 dirham (la moneda local) más do que estaba escrito en la señal oficial. Además de confirmar lo que ya habíamos escuchado sobre el Marruecos, de que siempre es necesario negociar el precio de las cosas, también ya pudimos percibir la dificultad que sería la barrera del idioma. El taxista sólo hablaba árabe, así que la conversación fue con un colega dél en una mezcla de inglés, español y francés desesperado de mi parte. Al menos en Tanger y otras ciudades del norte hay muchas personas que hablan español, lo que nos ayudó mucho para adaptarnos en los primeros días, pero, cuando empezamos a ir más al sur, tuvimos de sobrevivir con mi francés precário y mímica. Son pocas las personas que hablan inglés.

Las ciudades más grandes suelen ser divididas en dos espacios distintos: la ciudad nueva, con edificios altos y vida moderna a la Europa y la Medina, ciudad antigua cercada por una muralla usada en el pasado contra invasiones y siempre con una grande mezquita en su centro. De calles estrechisimas y comércio profuso, en el primer día no podemos negar que tuvimos miedo. En un corto trecho caminando, el turista es abordado diversas veces. Quieren venderle souvenirs, llevarlo a un hotel o restaurante, indicarle cualquier camino que esté buscando y también vender hachís. Y es difícil dispensarlos, pues son insistentes y van caminando contigo.

Como se ha dicho, en el primer día fue un choque para nosotros, pero entonces entendemos que es de eso que vive mucha gente, los llamados “intermediarios”. Viven de comisiones cuando llevan el turista a una tienda, restaurante o hotel específico. Y los niños aprenden rápido. Chicos de 10 años preguntan “English? Français? Español?” y insisten que tu te vas a perder en las calles de la Medina (lo que no es difícil) y lo mejor sería dejarse guiar por unas pocas monedas.

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[POR]
Depois que fomos ao Museu da Kasbah de Tanger, aprendemos um pouco sobre a história da região e começamos a admirá-los no que diz respeito a como fazem comércio. A verdade é que desde sempre eles são comerciantes. Tanger – e o norte do Marrocos no geral – é uma região estratégica, a porta de entrada do continente africano para a Europa, através do estreito de Gibraltar. Sendo assim, há mais de um milênio a região faz parte de uma rota de comércio fortíssima e os árabes (e também judeus) se juntaram diversas vezes a fim de expulsar cristãos espanhois, portugueses, franceses e ingleses que sempre tentaram dominar aquela área.

De Tanger fomos a Chefchaouen, uma das cidades mais turísticas do Marrocos por dois motivos: primeiro por conta de ser muito bonita, com todas as casas da Medina pintadas de três tons de azul. Segundo, acredito que o turismo se deva à grande oferta de haxixe, uma vez que Chefchaouen se encontra em meio às montanhas do Riff, região com muitas plantações de maconha.

De fato, a relação dos marroquinos com o haxixe chamou a minha atenção e do Luís e nos levou a descobrir mais coisas sobre a sociedade marroquina. Logo nos primeiros dias percebemos muitos homens fumando haxixe nos cafés. Não fosse só curioso o fato dos cafés serem uma espécie de zona onde o fumo é legalizado, também percebemos mais dois aspectos: nos cafés só entravam homens (nunca vimos uma mulher) e os cafés se encontravam cheios durante todo o dia.

Esta curiosidade nos acompanhou durante grande parte da viagem, mas felizmente pude sanar minha dúvida ao conversar com locais. O fato de não vermos mulheres nos cafés foi-me explicado por um rapaz. Nós estávamos dentro da Medina, que é considerada sagrada. Sendo assim, lá dentro, a religião e cultura muçulmana é muito mais intensa. Homens e mulheres passam o dia em espaços diferentes. Não se vê muitas mulheres na rua e, quando há, estão sempre apenas de passagem. Não é como os homens, que são vistos aos montes nas esquinas, cafés e lojas. Fora da Medina as mulheres podem ser mais livres e ir por exemplo a um café. Bares não existem, uma vez que é proibido o consumo de álcool na religião muçulmana.

Já o fato dos cafés sempre estarem lotados foi-me explicado por uma moça. Nestes cafés nunca há comida, os homens têm outras tendas onde normalmente oferecem pão com carne para vender. Percebemos que é muito difícil encontrar uma maior variedade de alimentação; apenas duas vezes encontramos uma pizzaria e era sempre um ambiente mantido por mulheres e também os quais só mulheres e crianças frequentavam.

Da segunda vez, perguntei à mulher o motivo de ter tantos homens nos cafés e ela me explicou: a verdade é a ociosidade em que se encontram. Segundo ela, muitos não querem trabalhar e, quando o fazem, também não pensam em melhorar e expandir (por isso vê-se os tipos de negócio sempre repetidos nas ruas). Isso se deve também em parte pela forma como as famílias são estruturadas. Sempre grandes, com os avós e cerca de três ou quatro núcleos familiares na mesma casa, as finanças são repartidas. Quando se necessita de dinheiro, outros familiares os ajudam, assim como familiares que moram no exterior e enviam dinheiro, o que é muito comum.

A sociedade marroquina ainda tem a cultura de homens e mulheres com papéis sociais distintos e, infelizmente, há muito machismo. Por exemplo, uma mulher só pode pedir divórcio caso apresente “um bom motivo” como violência doméstica, se não ela perde a guarda dos filhos, enquanto um homem pode pedir divórcio sempre que assim o desejar. Numa situação dessas, me pergunto que juíz sequer acreditará na mulher que alega violência.

Mas pelo menos me tranquilizei quando a moça respondeu à minha segunda pergunta e disse que meninos e meninas têm a mesma oportunidade de estudo. Ela ainda acrescentou que as meninas costumam ser as melhores da classe, enquanto os meninos seguem o exemplo dos pais, o da ociosidade.

[ESP]
Después que fuimos al Museo de la Kasbah de Tanger, aprendemos un poco sobre la história de la región y empezamos a admirarlos en lo que se refiere a como hacen comércio. La verdad es que desde siempre ellos son comerciantes. Tanger – y el norte de Marruecos en general – es una región estratégica, la puerta de entrada del continente africano para la Europa, a través del estrecho de Gibraltar. Así siendo, hace más de un milenio la región es parte de una ruta de comércio fortísima y los árabes (y también judíos) juntáronse diversas veces con el fin de expulsar los cristianos españoles, portugueses, franceses y ingleses que siempre intentaron dominar aquella área.

De Tanger fuimos a Chefchaouen, una de las ciudades más turísticas de Marruecos por dos motivos: primero por ser muy hermosa, con todas las casas de la Medina pintadas de tres tonos de azul. Segundo, creo que el turismo se debe a la grande oferta de hachís, una vez que Chefchaouen está en medio a las montañas del Riff, región con muchas plantaciones de marihuana.

De hecho la relación de los marroquíes con el hachís llamó la mia atención y de Luis y nos llevó a descubrir más cosas sobre la sociedad marroquí. Luego en los primeros días percibimos muchos hombres fumando hachís en los cafés. No fuera sólo curioso el hecho de que los cafés son una especie de zona donde el humo es legalizado, también percibimos más dos aspectos: en los cafés sólo entraban hombres (nunca hemos visto una mujer) y los cafés se encuentran llenos durante todo el día.

Esta curiosidad nos acompañó durante gran parte del viaje, pero felizmente pude sanar mi duda cuando hablé con las personas locales. El hecho de no ver mujeres en los cafés me fue explicado por un muchacho. Nosotros estábamos en la Medina, que es considerada sagrada. Así sendo, ahí dentro, la religión y cultura musulmana es mucho más intensa. Hombres y mujeres pasan el día en espacios diferentes. No se ve muchas mujeres en la calle y, cuando hay, están siempre apenas de paso. No es como los hombres, que se ven a los montes en las esquinas, cafés y tiendas. Afuera de la Medina las mujeres pueden ser más libres y ir por ejemplo a un café. Bares no existen, una vez que es prohibido el consumo de alcohol en la religión musulmana.

Ya el hecho de que los cafés estén siempre llenos me fue explicado por una mujer. En estos cafés nunca hay comida, los hombres tienen otras tiendas donde ofrecen normalmente pan con carne para vender. Percibimos que es muy difícil encontrar una variedad más grande de alimentación; solamente dos veces hemos encontrado una pizzería y era siempre un ambiente mantenido por mujeres y los cuales sólo mujeres y niños frecuentaban.

En la segunda vez, pregunté a la mujer el motivo de tener tantos hombres en los cafés y ella me explicó: la verdad es la ociosidad en que se encuentran. Según ella, muchos no quieren trabajar y, cuando lo hacen, tampoco piensan en mejorar o expandir (ese es el motivo de siempre ver los mismos tipos de negocio en las calles). Eso también se debe en parte por la forma como las familias son estructuradas. Siempre grandes, con los abuelos y cerca de tres o cuatro núcleos familiares en la misma casa, las finanzas son repartidas. Cuando necesitan de dinero, otros parientes los ayudan, así como parientes que viven en el extranjero y envían dinero, lo que es muy común.

La sociedad marroquí aún tiene la cultura de hombres y mujeres con papeles sociales distintos y, lamentablemente, hay mucho machismo. Por ejemplo, una mujer sólo puede pedir el divorcio si presenta “un buen motivo” como violencia doméstica, si no ella pierde la custodia de los hijos, en cuanto un hombre puede pedir el divorcio siempre que así lo desea. En una situación como esa, preguntome que juiz siquiera acreditará en la mujer que alega violencia.

Al menos pude tranquilizarme cuando la mujer me respondió a mi segun pregunta y dijo que niños y niñas tienen la misma oportunidad de estudiar. Ella aún dijo que las niñas normalmente son las mejores de la turma, en cuanto los niños siguen el ejemplo de sus papás, lo de la ociosidad.

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[POR]
Após Chefchaouen, fomos para Ouezzane. Sem ser listada nos guias de turismo, Ouezzane foi um encanto para mim. Descobrimos uma Medina toda pintada de verde e sem nenhum turista. Tivemos o primeiro contato com locais que, em árabe (ou bérbere – outro idioma do país -, eu não saberia diferenciar) nos disseram que eu e o Luís parecemos marroquinos. Isso ouvimos durante toda a viagem e não vou negar que me sentia feliz quando alguém chegava falando em árabe comigo e depois me explicava que eu parecia uma marroquina do sul.

Em Ouezzane não havia a chateação dos “intermediários” nos abordando na rua. Outro ponto positivo também foi encontrarmos pela primeira vez um hotel com preço justo. 100 DH (cerca de 10 euros) por um quarto de casal com varanda. Tivemos que pagar mais um pouquinho (10 DH cada) para poder tomar banho, mas lembro-me que foi um dos melhores banhos no Marrocos. Mesmo que fosse com pouca água e de canequinha, o banheiro era limpo (mais do que o do hostel da Suécia, onde pagamos 60 euros e ainda havia a “regra” de que o próprio hóspede deveria limpar o quarto antes de sair… eles sequer trocavam a roupa de cama…). Também gostei muito do banho porque estávamos num hotel frequentado por marroquinos, não havia turistas. E, assim como o banho com economia de água (o Marrocos é um país majoritariamente árido), normalmente também não há privadas. Mesmo assim, ao redor da latrina há sempre um piso de azulejo antiderrapante. Gostei muito de tudo isso. Como os brasileiros, os marroquinos são pobres, mas limpinhos!

[ESP]
Después de Chefchaouen, fuimos a Ouezzane. Sin estar en los guías de turismo, Ouezzane fue un encanto para mi. Hemos descubierto una Medina toda pintada de verde y sin ningun turista. Tuvimos nuestro primer contacto con las personas locales que, en árabe (o bérber – otro idioma del país -, yo no podría decir la diferencia) nos dijeron que yo y Luis parecemos marroquíes. Eso escuchamos durante todo el viaje y yo no puedo negar que me sentía feliz cuando alguien llegaba hablando en árabe conmigo y después explicaba que yo parezco una marroquí del sur.

En Ouezzane no había el aburrimiento con los “intermediarios” nos abordando en las calles. Otra cosa positiva fue que encontramos por la primera vez un hotel con precio justo. 100 DH (cerca de 10 euros) por una habitación matrimonial con balcón. Tuvimos que pagar un poquito más (10 DH cada) para poder ducharnos, pero me acuerdo que fue una de las mejores duchas en Marruecos. Mismo que fuera con poca agua y con una taza, el baño era limpio (más que el albergue de Suecia, donde hemos pagado 60 euros y aún había la “regla” de que el próprio huésped tenía que limpiar la habitación antes de salir… siquiera cambiaban la ropa de cama…). También me gustó mucho la ducha porque estábamos en un hotel frecuentado por marroquíes, no había turistas. Y, así como una ducha con economía de agua (Marruecos es un país mayoritariamente árido), normalmente también no hay retretes. Mismo así, alrededor de la letrina hay siempre un piso de azulejo antideslizante. Me gustó mucho todo eso. ¡Cómo los brasileños, los marroquíes son pobres, pero limpios!

176

[POR]
De Ouezzane fomos à Moulay Idriss, a cidade mais sagrada do Marrocos. Até 2005 era proibido que turistas pernoitassem na cidade. O motivo de ser sagrada é o mesmo de seu nome. Moulay Idriss foi o primeiro governante do império marroquino e peregrinos de todo o país vão até lá visitar seu mausoléu, o qual continua proibido para turistas. Eles dizem que seis peregrinações à Moulay Idriss equivale à uma à Mecca.

Um feliz passeio que eu e o Luís pudemos fazer desde Moulay Idriss foi Volubilis. Eu, pessoalmente, fiquei fascinada com o que vi. Volubilis foi uma cidade romana fundada no ápice do império (século I) a qual foi destruída no século XVIII por um forte tremor de terra. De fato, o Marrocos guarda pérolas preciosas para nós, amantes da Natureza e de História.

[ESP]
De Ouezzane fuimos a Moulay Idriss, la ciudad más sagrada de Marruecos. Hasta 2005 se prohibía a los turistas pernoctar en la ciudad. El motivo de ser sagrada es lo mismo de su nombre. Moulay Idriss fue el primer gobernante del imperio marroquí y peregrinos de todo el país van allá visitar su mausoleo, lo cual continúa prohibido a los turistas. Ellos dicen que seis peregrinaciones a Moulay Idriss es como una a la Mecca.

Un feliz paseo que yo y Luis pudimos hacer desde Moulay Idriss fue Volubilis. Yo, personalmente, me quedé fascinada con lo que ví. Volubilis fue una ciudad romana fundada en el ápice del imperio (siglo I) la cual fue destruida en el siglo XVIII por un fuerte temblor de tierra. De hecho Marruecos guarda perlas preciosas para nosotros, amantes de la Naturaleza y de História.

177

[POR]
O melhor de tudo no Marrocos é o seu povo simples e sempre disposto a ajudar. Eu e o Luís decidimos começar a tentar viajar de carona e não podia ter sido melhor. A cultura da carona é algo comum no Marrocos, de forma que sempre em poucos minutos parava alguém para nos levar. Além de economizarmos, era muito mais confortável do que os péssimos ônibus marroquinos (as pessoas levam papelão para sentar-se, uma vez que os bancos estão molhados por conta das goteiras…) e também a perfeita oportunidade para ter um contato mais próximo com os locais. E, mesmo em silêncio quando o motorista só falava árabe ou bérbere, ou com conversas curtas devido ao fato de eu ainda não falar francês fluentemente, a verdade é que nesses momentos nos conscientizamos de que somos todos um. Por diferente que seja o idioma ou a cultura, continuamos entendendo a linguagem do amor ao próximo.

A ideia minha e do Luís era seguir para Merzouga, no extremo sul. Lá há muitos passeios pelo deserto, daqueles com camelo e tudo. Uma amiga francesa havia nos dado a dica; porém, a meio caminho de lá, na cidade de Midelt, mudamos de opinião. Começamos a ver uma movimentação turística muito forte, de motorhomes franceses a 4×4 alugados para passear pelo deserto. Numa lavanderia queriam cobrar-me 10 euros para lavar meia dúzia de peças de roupa e ainda riram de mim com o meu espanto. Numa cidade anterior também riram de mim quando achei um absurdo pagar 800 euros numa diária de hotel e eu disse que nós só podíamos gastar 10 por dia com hospedagem. A verdade é que, quanto mais próximo de um centro turístico como Merzouga, mais as pessoas começam a te tratar mal. Querendo ou não, lá somos nós os gringos e, devido à proximidade com a Europa, já pensam que você é um europeu milionário querendo gastar dinheiro, o que não é nem um pouco o caso.

[ESP]
Lo mejor de todo en Marruecos es su pueblo simples y siempre dispuesto a ayudar. Yo y Luis hemos decidido empezar a viajar a dedo y no podría tener sido mejor. La cultura de llevar otros que hacen dedo en la carretera es algo común en Marruecos, así que siempre en pocos minutos alguien paraba para llevarnos. Además de economizar, era mucho más confortable que los horribles autobuses marroquíes (las personas llevan cartón para sentarse, una vez que los asientos están mojados por cuenta de goteras…) y también la perfecta oportunidad para estar más cerca de las personas que ahí viven. Y, mismo en silencio cuando el conductor sólo hablaba árabe o bérber, o con conversaciones cortas porque aún no hablo francés con fluidez, la verdad es que en esos momentos nos concientizamos de que somos todos uno de lo mismo. Por diferente que sea el idioma o la cultura, continuamos comprendiendo el lenguaje del amor al próximo.

Mia idea y de Luis era seguir a Merzouga, en el extremo sul. Ahí hay varias excursiones al desierto, esas con camellos y todo. Una amiga francesa había dado el consejo, pero, a medio camino de allá, en la ciudad de Midelt, cambiamos de opinión. Empezamos a ver una movimentación turística muy fuerte, de motorhomes franceses a 4×4 alquilados para pasear por el desierto. En una lavandería querían cobrar 10 euros para lavar media docena de piezas de ropa y todavía se rieron de mí con mi espanto. En una ciudad anterior también se rieron de mí cuando yo dije que era un absurdo pagar 800 euros por una noche en el hotel y que nosotros viajamos con apenas 10 por día para hospedaje. La verdad es que, cuanto más cerca de un centro turístico como Merzouga, más las personas empiezan a tratarte mal. Queriendo o no, allá somos nosotros los gringos y, debido a la proximidad con la Europa, ya piensan que tu eres un europeo milionário que quiere gastar toda su plata, lo que no es ni un poco nuestro caso.

178

[POR]
Continuando a viagem de carona, ainda pudemos ver belas paisagens, mesmo que não tenhamos ido ao deserto do Saara, que é outro sonho meu. Também fizemos dois bons amigos, homens que nos deram carona e falavam inglês (as pessoas que falam inglês são normalmente as que fizeram faculdade, pois, na escola, o idioma estrangeiro ensinado é apenas o francês).

Agradecemos ao Adnane por nos levar. Pudemos tirar um gostinho da paisagem árida e aprender sobre a cultura marroquina. Também agradecemos pela amizade de Abdoul que, em meio a uma viagem de trabalho, nos deu uma longa carona e nos mostrou a hospitalidade marroquina. Levou-nos a casa de seu amigo para jantar e também ofereceu-nos sua casa para pernoitar. Muito obrigada!

[ESP]
Continuando el viaje a dedo, aún pudimos ver bellos paisajes, mismo que no tengamos ido al desierto del Sahara, que es otro sueño mio. También hemos hecho dos buenos amigos, hombres que nos llevaron y hablaban inglés (las personas que hablan inglés son normalmente las que hacen universidad, pues en la escuela el idioma extranjero enseñado es apenas el francés).

Agradecemos al Adnane, que nos llevarnos. Pudimos ya ver un poco del lindo paisaje árido y aprender sobre la cultura marroquí. También agradecemos por la amistad de Abdoul que, en medio a un viaje de trabajo, nos llevó y nos mostró la hospitalidad marroquí. Nos llevó a casa de su amigo para cenar y también nos ofreció su casa para pernoctar. Muchas gracias!

179

[POR]
E a comida também foi algo que nos chamou a atenção no Marrocos. As pessoas comem porções pequenas. Não há o exagero e muito menos o desperdício que há em outros lugares. Depois, conversando com um colega alemão que morou seis meses no Marrocos, soube que isso é de fato devido a terem pouca comida. A terra é muito árida e difícil de  cultivar. O tajine, prato mais típico, consiste em uma panela de barro onde, no vapor, é cozinhado carne, ovos e ameixa seca ou então apenas legumes. Com as mãos, todos se servem diretamente da panela no centro da mesa, acompanhado de um pedaço de pão. Após isso, uma fruta.

E, da casa de nosso querido amigo Abdoul em Oulad Berhil, onde tomamos um maravilhoso café da manhã com sua mãe e irmãs, fomos para Marrakech. Um caminhão nos deu carona até uma das estradas mais bonitas que já vi. À la cordilheira dos Andes, a estrada era bem estreita, cheia de curvas e em meio a uma cadeia montanhosa belíssima chamada Alto Atlas. Também pouco movimentada, de modo que eu e o Luís chegamos a caminhar um pouco e tivemos que esperar muito até passar alguém. No fim, conseguimos um micro ônibus que nos levou direto a Marrakech. Graças a Deus, pois estaríamos em apuros se não tivéssemos conseguido essa condução. Como não sabíamos que a estrada seria tão deserta, não fomos preparados. Estávamos sem comida e a água acabou. Foi duro, ficamos sem comer o dia todo, mas valeu à pena. Jamais me esquecerei daquela paisagem magistral. Eram três tipos de montanhas que se intercalavam: uma bem árida, outra de terra bem escura e com arbustos verdes e outra nevada.

[ESP]
La comida también fue algo que nos llamó la atención en Marruecos. Las personas comen porciones pequeñas. No hay el exagero y mucho menos el desperdicio que hay en otros lados. Después, charlando con un colega alemán que ha vivido seis meses en Marruecos, supe que eso es debido a tener poca comida. El suelo es muy árido y difícil de cultivar. El tajine, plato más típico, consiste en una olla de barro donde, en el vapor, es cocinado carne, huevos y ciruela pasa o entonces sólo vegetales. Con las manos, todos se sirven directamente de la olla en el centro de la mesa, acompañado de un pedazo de pan. Después, una fruta.

Y de la casa de nuestro querido amigo Abdoul en Oulad Berhil, donde desayunamos riquísimo con su madre y hermanas, fuimos a Marrakech. Un camión nos llevó hasta una de las carreteras más hermosas que yo ya he visto. A la cordillera de los Andes, la carretera era muy estrecha, llena de curvas y en medio a una cadena montañosa bellísima llamada Alto Atlas. También poco movimentada, así que yo y Luis llegamos a caminar un poco y tuvimos que esperar mucho hasta pasar alguien. En el fin, logramos un micro autobús que nos llevó directo a Marrakech. Gracias a Dios, pues sin este transporte estaríamos en apuros. Como no sabíamos que la carretera sería tan desierta, no fomos preparados. Estábamos sin comida y la agua se acabó. Fue duro, nos quedamos sin comer todo el día, pero ha valido la pena. Jamás olvidaré aquel paisaje magistral. Eran tres tipos de montañas que se intercalaban: una mucho árida, otra de tierra bastante oscura y con arbustos verdes y otra nevada.

180

[POR]
Em Marrakech não vimos muito. Nossa viagem estava chegando ao fim. Decidimos ir com calma para a Espanha, de onde partiria o voo do Luis de volta à Colômbia e o meu, de volta à Alemanha. Fomos de trem de Marrakech a Tanger. Bom trem e preço justo (diferente do que ocorre na Alemanha), cerca de 35 euros para praticamente cruzar o país. De Tanger, pegamos uma balsa que, em 30 minutos, cruzou o estreito de Gibraltar e nos levou à Espanha.

[ESP]
En Marrakech no hemos visto mucho. Nuestro viaje estaba llegando a su fin. Hemos decidido ir con calma a España, de donde tenía Luis su vuelo para volver a Colombia y yo el mio a Alemania. Fuimos en tren de Marrakech a Tanger. Buen tren y precio justo (diferente do que ocurre en Alemania), cerca de 35 euros para prácticamente cruzar el país. De Tanger, tomamos la balsa que, en 30 minutos, cruzó el estrecho de Gibraltar y nos llevó a España.

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[POR]
Pudemos dar tchau ao Marrocos em grande estilo. Do ônibus que nos levou do porto até o centro da cidade de Algeciras (Espanha), pudemos observar o continente africano do outro lado na hora do pôr-do-sol. Na Espanha não fizemos nada de mais, apenas aproveitamos para descansar e nos despedir. Mas posso dizer que estas foram férias inesquecíveis. Por mais despreparados que estivéssemos (eu e o Luís nos prometemos nunca mais viajar sem fogareiro e barraca) e por mais curta que tenha sido a estada no Marrocos (isso tudo fizemos em apenas duas semanas), foi um país que nos deixou com gostinho de quero mais. Com certeza vamos voltar. E desta vez de bicicleta.

[ESP]
Pudimos despedirnos de Marruecos en gran estilo. Del autobús que nos llevó del puerto hasta el centro de la ciudad de Algeciras (España), pudimos observar el continente africano del otro lado en la hora de poner del sol. En España no hicimos mucho, aprovechamos solamente para descansar y despedirnos. Pero puedo decir que fueron vacaciones inolvidables. Por más despreparados que estábamos (yo y Luis nos hemos prometido nunca más viajar sin hornillo de camping y carpa) y por más corta que haya sido la estada en Marruecos (hemos hecho todo eso en sólo dos semanitas), fue un país que nos dió ganas de saber más. Seguro vamos volver. Y en la próxima vez en bici.

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Sobre Luís Cunha

Cidadão do mundo, formado em design e atualmente freelancer na área da ilustração e do design gráfico. Fale comigo -> luisbcunha@gmail.com portifólio -> behance.net/luiscunha
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