Cicloviagem LatAm | Trecho 15#: Quito, Ecuador. – Cali, Colômbia

*Artículo traducido al español

[POR]
O caminho à Colômbia foi feito em companhia. Desde o centro-oeste brasileiro – primeiro trimestre de 2017 – que eu viajava sempre solitário, assim que estar entre amigos foi uma ótima experiência. Na Casa de Ciclistas de Quito fiz muitas amizades e pude compartilhar e comer com outros trotamundos.

No dia 22 de janeiro de 2018 saímos para pedalar em seis pernas. Murilo e eu seguimos viajando até o sul de Colômbia, já com o amigo colombiano Raul pedalamos somente por três dias.

[ESP]
El camino a Colombia fue hecho en compañía. Desde el centro-oeste brasileño – primer trimestre de 2017 – que viajaba solo, así que estar entre amigos fue una buena experiencia. En la Casa de Ciclistas de Quito he hecho muchas amistades y pudo compartir y comer con otros trotamundos.

En 22 de enero 2018 salimos a pedalear en tres personas. Murilo y yo seguimos viaje hacia el sur de Colombia, y con el “parcero” Raul pedaleamos tres dias.

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Murilo e eu buscamos sempre evitar a movimentadíssima estrada Panamericana, devido ao alto tráfego de carros e poucos pontos de interesse. Depois de Ibarra, tomamos um caminho de estradas secundárias que nos levou ao parque natural “El Angel”, província de Carchi. Subidas infernais nos conduziram a mais de 3600 metros sobre o nível do mar, e pela primeira vez testemunhamos o ecossistema do Páramo. É uma zona de alta umidade, as plantas da região tem a característica de absorver a água do ar e filtrá-la para a terra. Dessa forma o solo é altamente barroso e fértil, o que propicia o desenvolvimento da densa vegetação. A planta mais emblemática desse ecossistema é o Frailejon, pois somente existe nessa parte dos andes – norte do Equador, sul de Colômbia e nas serras de Mérida em Venezuela.

[ESP]
Murilo y yo buscamos siempre evitar la carretera Panamericana, debido al harto trafego de carros y pocos puntos de interés. Después de Ibarra, seguimos un camino secundario que llevó al parque natural “El Angel”, en la provincia de Carchi. Trepadas infernales condujeron a más de 3600 metros sobre el nivel del mar, y por la primera vez conocimos el ecosistema del Páramo. Es una zona de mucha humedad, las plantas tienen la característica de absorver el agua del aire y filtrar para la tierra. Así, el suelo es muy barroso, y fértil, desarrollando una vegetación muy densa. La planta más conocida deste ecosistema es el Frailejon, pues solo existe en esta parte de los andes – norte de Ecuador, sur de Colombia y en las sierras de Merida en Venezuela.

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Depois de muita lama e água, voltamos à Panamericana rumo a Tulcan para cruzar a fronteira rodoviária à Colômbia. A alfândega é um verdadeiro caos devido à grandíssima quantidade de venezuelanos tentando cruzar ao Equador. Nos dias de hoje a Venezuela vive uma grande crise, o salário mínimo lá está por volta de 4U$ ao mês. Já no Equador o salário mínimo varia de 300-370U$, assim que muitas pessoas vêem como única opção para sustentar suas famílias, migrar ao país vizinho.

Graças a ajuda de Oscar, Judith e Laura, – uma família colombiana que vive na fronteiriça cidade de Ipiales e recebe ciclistas em sua casa – deixamos os equipamentos já na Colômbia, e só no outro dia voltamos para realizar os trâmites migratórios. É verdade que notamos os colombianos um povo muito hospitaleiro, e à semelhança dos brasileiros, oferecem comida em abundância e gostam de aprender sobre as diferenças culturais.

Com dois amigos, fomos conhecer a basílica católica Las Lajas. Construída – entre 1916 e 1949 – a 100m de altura sobre o rio Guaítara, é considerada uma das mais lindas igrejas do mundo. Não somente pelo peculiar estilo gótico, mas também por sua localização estratégica, que une dois cânions.

[ESP]
Después de mucho barro y agua, volvimos à Panamericana rumbo Tulcan para el cruce de a Colombia. La oficina de migraciones es una gran confusión debido a gran cantidad de venezuelanos intentando llegar a Ecuador. En los dias de hoy Venezuela vive una gran crisis, el sueldo mínimo está cerca de 4U$ al mes. Ya en Ecuador, el sueldo mínimo esta como 300-370U$, así que muchas personas migran al país vecino para sustentar sus familias.

Gracias a ayuda de Oscar, Judith y Laura – una familia colombiana que vive en Ipiales y recibe ciclistas en su casa – dejamos los equipos en Colombia, y solo en el otro día volvimos para hacer los trámites de migración. Es verdad que notamos los colombianos una gente muy acogedora, y así como los brasileños, ofrecen comida en abundancia y les gusta aprender acerca de nuevas costumbres.

Con dos amigos, nos fuimos conocer la basílica católica Las Lajas. Construida – entre 1916 y 1949 – a 100m de altura sobre el rio Guaítara, es considerada una de las mas lindas iglesias del mundo. No solamente por su estilo gótico, pero tambiién por su ubicación, que une dos cañones.

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[POR]
Por estradas secundárias, Murilo e eu seguimos pedalando por Colômbia. Aproveitamos o fato de estar em companhia para dividir tarefas, e assim realizar atividades cotidianas com mais agilidade. Murilo sugeriu que fizessemos um trekking à cratera do vulcão Azufral, e depois de 4h de caminhada por florestas úmidas e páramo, chegamos a praticamente 4000m.s.n.m. e pudemos admirar um ecossistema muito peculiar, além da lagoa verde – com essa coloração devido aos gases de enxofre – que “tampa” a cratera do vulcão adormecido.

[ESP]
Por carreteras secundarias, Murilo y yo seguimos pedaleo por Colombia. Aprovechamos estar en equipo para compartir actividades cotidianas, y así realizar tareas con más rapidez. Murilo sugirió que hiciéramos un trekking al cráter del vulcan Azufral, y después de 4h de caminata por selva húmeda y páramo, llegamos a casi 4000m.s.n.m. y pudimos admirar un ecosistema muy peculiar, ademas de la laguna verde – con este color debido a los gases de azufre – que “tapa” el cráter del adormecido vulcan.

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[POR]
Depois de praticamente 3 semanas pedalando juntos, Murilo e eu estávamos com o relacionamento desgastado. Estar 24h por dia 7x por semana com o companheiro às vezes pode ser estressante. Uma viagem à propulsão humana depende do ritmo físico e mental do indivíduo, assim que decidimos seguir nossos caminhos separados, de forma que cada um siga aproveitando a viagem em seu ritmo.

Pedalando rumo o oriente de Colômbia, me esperava a temida estrada que liga montanhas andinas às pampas amazônicas do rio Putumayo. De Sibundoy, começa a chamada via “trampolim da morte” que em tortuosos quilômetros leva até o rio Putumayo, que em suas águas se chega ao grande Amazonas e desagua no oceano Atlântico, há mais de 4.000km de distância.

Passando por abismos, cascatas de água límpida e selvas úmidas esse é o caminho que percorreu Hérnan Perez Quesada – no século XVI – com 270 soldados, 200 cavalos e 10 indígenas que guiaram as tropas espanholas rumo à invasão do sul oriental. Em 1835 essa rota era usada por mercadores para transitar produtos amazônicos – como a borracha, taguá e quina -, já que ao passar Mocoa, é possível navegar até Belém do Pará, no Brasil, e atingir o litoral atlântico. Em 1932, essa rota foi usada pelas tropas colombianas na guerra contra o Peru, de forma a flanquear os inimigos pelo oriente.

Na virada do século XXI, a estrada continua a ter um transito sombrio. Na década de 90 os únicos que trafegavam sem problemas na região eram guerrilheiros e traficantes de cocaína – segundo artigo no jornal El Tiempo. Aproveitando-se do caminho estratégico, usam a rota para escoar a produção da droga desde a amazônia a outros países e ao oceano Pacífico. Talvez por isso eu notei uma fortíssima presença militar na região, em todas as pontes ou miradouros havia um destacamento fortemente armado.

Entretanto eu não tive nenhum problema em meu passo, e pude tranquilamente apreciar o estupendo caminho, cercado por floresta de Yunga, muito úmido e muitas nascentes de água. O clima de páramo – que vai de 3.000-4.500m.s.n.m. -, se encontra quase 365 dias do ano entre nuvens, suas plantas absorvem a água, e os charques e lagoas formados nas alturas propiciam o desenvolvimento de uma densa floresta – a 1.600-2.800 m.s.n.m. – de árvores grossas, solo barroso e muitas fontes de água pura.

[ESP]
Después de casi 3 semanas pedaleando juntos, Murilo y yo estábamos con el relacionamiento lastimado. Estar 24h por día, 7 veces por semana con el compañero as veces puede ser estresante. Un viaje a propulsión humana depende del ritmo físico y mental del individuo, así que decidimos seguir el camino en separado, de manera que uno siga aprovechando el viaje a su ritmo.

Pedaleando rumbo el oriente de Colombia, me esperaba la mal dicha carretera que une las montañas andinas a las pampas amazônicas del rio Putumayo. De Sibundoy, empieza la llamada “trampolín de la muerte”. En tortuosos quilómetros lleva hacia el rio Putumayo, que en sus aguas llega hasta el gran Amazonas y desagua en el oceano Atlantico, lejos más de 4.000km.

Pasando por abismos, cascatas de agua pura y selvas húmedas este es el camino que hizo Hérnan Perez Quesada – en el siglo XVI – con 270 soldados, 200 caballos y 10 indígenas que guiaron las tropas de España rumbo à invasão del sur oriental. En 1835 esta ruta era muy usada por mercadores para traer productos amazónicos -como el caucho, tagua y quina -, ya que al pasar Mocoa, es posible navegar hasta Belen del Pará, en Brasil, y llegar en la costa atlántica. En 1932, esta ruta fue usada por tropas colombianas en la guerra contra Perú.

En el cambio del siglo XX para XXI, la carretera sigue con su trafego sombrio. En la década de 90 los únicos que andaban por la región sin problemas eran guerrilleros y cocaleros – según artigo en el periódico El Tiempo. Aprovechando el camino estratégico, usan la ruta para escoar la producción de cocaína desde las Amazonas a otros países y oceano Pacífico. Talvez por este motivo yo sentí fuerte presencia militar en la región, en todos los puentes o miradores había un destacamento armado.

Todavia yo no tuve problemas en mi paso, y pudo tranquilamente apreciar el hermoso camino, cercado por selva de Yunga, muy húmeda y muchos chorros de água limpia. El clima de páramo – que vá de 3.000-4.500m.s.n.m.-, se encuentra casi 365 del año dentro de nieblas, sus plantas absorben el agua, y los alagados y lagunas formados en las alturas permiten el desarrollo de una densa selva – a 1.600-2.800 m.s.n.m. – de gruesos árboles, suelo barroso y muchas fuentes de água límpida.

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Chegar em Mocoa, Putumayo, Colômbia – no dia 8/2/2018 – foi como um prêmio. Depois de passar mais de 3 meses no clima quente e paradisíaco do litoral equatoriano, eu estava desde o dia 10 de janeiro pedalando pelas montanhas, passando por temperaturas frias, e algumas vezes até negativas. A capital do Putumayo fica a 800m.s.n.m., e o ecossistema alto amazônico de rios caudalosos e densa vegetação, faz da região um forno.

Um aroma peculiar invade os campos e cidades na Colômbia: é a marihuana. Seu uso é cultural, e não somente em forma de fumo, mas é muito comum a venda de pomadas e outros produtos medicinais derivados da erva. De todas maneiras, subidas intermináveis me aguardavam. Pelo norte, era hora de voltar ao ocidente, já que meu destino era Cali, a capital mundial do ritmo Salsa.

Decidi seguir a estrada que corta o Parque Natural Nacional do Puracê. Mais uma vez em um clima de florestas de Yunga e páramo, de úmida vegetação e subidas fortíssimas. Eu acreditava que seria uma estrada solitária com acampamentos selvagens e sem presença humana, já que nos 60km que cortam o parque não há povoados, casas nem atividade agropecuária. Somente a natureza.

Por volta das 17h eu já estava buscando um local para acampamento quando percebi que tinha vizinhos. Ao me virar de costas, encontrei um militar empunhando um fuzil. Ele educadamente me pergunta sobre a viagem, e nos fazemos amigos. Mais tarde ele volta me convida a jantar com seus companheiros no acampamento militar, situado à alguns metros escondido na mata.

[ESP]
Llegar en Mocoa, Putumayo, Colombia – en el 8/2/2018 – fue como un premio. Después de pasar más de tres meses en el cálido clima de la costa ecuatoriana, yo estaba desde el 10 de enero pedaleando por las montañas, pasando por temperaturas frías, y as veces negativas. La capital del Putumayo queda a 800m.s.n.m., y el ecosistema alto-amazónico de ríos caudalosos y densa vegetación, hace de la región una hornalla.

Un aroma muy raro invade los campos y ciudades de Colombia: es la marihuana. Su uso es cultural, y no solamente en fumo, sino también en pomadas y otros productos de medicina natural. De todas maneras, trepadas interminables esperaban. Por el norte, yo debía seguir al ocidente, ya que mi destino es Cali, la capital mundial del ritmo Salsa.

Decidí seguir la carretera que cruza el Parque Natural Nacional del Puracé. Mas una vez en un clima de selva de Yunga y paáramo, de húmeda vegetación y trepadas muy fuertes. Yo creía que seria una carretera sola, con campamentos salvajes y sin la presencia humana, ya que en los 60km que cortan el parque no hay pueblos, casas y atividade agropecuária. Solamente naturaleza.

Las 17h yo ya estaba buscando donde acampar cuando noté habían vecinos. Al virarme de espaldas, encontré un militar empuñando un rifle. El educadamente preguntame acerca del viaje, y nos hacemos amigos. Mas tarde el regressa y invita a cenar con sus compañeros en el campamento militar, escondido algunos metros adentro en la selva.

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Os sete militares no acampamento ficaram muito entusiasmados com a minha visita. Seu trabalho é internar-se por 6 meses dentro da floresta, e através de trilhas movimentar-se pela região e assegurar a segurança. Assim como eu, eles levam sua casa nas costas, cozinham em um fogareiro à gasolina e tem seus equipamentos de camping, além do armamento pesado.

Segundo os amigos, nos dias de hoje a região é tranquila e não há confrontos armados. Devo dizer que fiquei um tanto assustado com esse encontro, de todas as formas fui muito bem tratado e além da janta, me convidaram para o café-da-mañha no outro dia e ainda me apoiaram com 1,5kg de arroz e 200g de sardinha.

As subidas terminaram no páramo, e a partir de lá foi pura descida à cidade branca de Popayan. No centro histórico, todos estabelecimentos são pintados de cor branca, o que dá um aspecto muito interessante à cidade. Já no vale do rio Cauca, uma grande descida me aguardava nos 140km até Cali.

Através da rede social Warmshowers conseguí um grande apoio na cidade de Cali. O amigo Jose Arango me recebeu em sua casa e aceitou guardar meus equipamentos por um mês e meio. Um inesperado e grato acontecimento me obrigou a estacionar a bicicleta, e partir rumo a nova aventura.

Somente no dia 3 de abril é que volto a andar de bicicleta pelas américas, obrigado aos leitores por sempre acompanhar as publicações e nos vemos em breve com muitas boas novidades.

[ESP]
Los siete militares en el campamento quedaron muy contentos con mi visita. Su trabajo es internarse 6 meses en la selva, y por senderos caminar por la zona y garantizar la seguridad. Así como yo, ellos llevan su casa en las espaldas, cocinan en una estufa a gasolina y tienen sus equipos de camping, ademas del armamento pesado.

Según los amigos, en los días de hoy la zona es muy tranquila y no hay confrontos armados. Debo decir que quedé assustado con el encontro, aún que me trataron muy bien y además de la cena, me invitaron el desayuno en el otro día y aportaron 1,5kg de arroz y 200g de sardina para llevar.

Las trepadas terminaron en el páramo, y desde allá fue pura bajada a la ciudad blanca de Popayan. En el centro histórico, todas las viviendas son pintadas en color blanco, lo que da una sensación muy interessante. Ya en el valle del rio Cauca, una gran bajada me esperaba en los 140km hacia Cali.

Por la red social Warmshowers logré un gran apoyo en la ciudad de Cali. El amigo Jose Arango me recibió en su casa y aceptó guardar mis equipajes por un mes y medio. Un inesperado y bueno acontecimiento me obligó a parquear la bici, y partir rumbo nueva aventura.

Solamente el 3 de abril es que volvo a pedalear por las américas, gracias a los lectores por siempre acompañar el diário y nos vemos lueguito con buenas novedades.

 

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Sobre Luís Cunha

Cidadão do mundo, formado em design e atualmente freelancer na área da ilustração e do design gráfico. Fale comigo -> luisbcunha@gmail.com portifólio -> behance.net/luiscunha
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